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Home Brasil

Ceará: Formiga mais antiga conhecida é preservada em fóssil brasileiro de 113 milhões de anos

por Redação
27 de abril de 2025
em Brasil, Ciências, Meio Ambiente, Pesquisa
Reading Time: 4 mins read
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Ceará: Formiga mais antiga conhecida é preservada em fóssil brasileiro de 113 milhões de anos

Uma formiga fossilizada de 113 milhões de anos preservada em calcário descoberto no Ceará. Foto: Anderson Lepeco/Current Biology/Divulgação via REUTERS

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Cientistas identificaram os restos fossilizados da mais antiga formiga conhecida — um inseto alado com mandíbulas assustadoras em forma de foice que viveu há cerca de 113 milhões de anos, na era dos dinossauros , e foi preservado em calcário descoberto na cidade de Crato, Ceará.

A espécie, chamada Vulcanidris cratensis, faz parte de uma linhagem chamada formigas-do-inferno – nomeada assim por suas mandíbulas de aparência demoníaca – que prosperou em uma ampla área geográfica durante o Período Cretáceo, mas não possui descendentes vivos atualmente. Uma formiga-do-inferno do Cretáceo descoberta anteriormente foi chamada de Haidomyrmex em homenagem a Hades, o antigo deus grego do submundo.

Uma formiga de tamanho médio, com cerca de 1,35 cm de comprimento, a Vulcanidris possuía mandíbulas altamente especializadas que lhe permitiam imobilizar ou empalar presas. Como algumas formigas vivas hoje, tinha asas e parece ter sido uma voadora habilidosa. Também possuía um ferrão bem desenvolvido, como o de uma vespa.
“Provavelmente seria confundido com uma vespa por um olho destreinado”, disse o entomologista Anderson Lepeco, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, principal autor do estudo publicado esta semana na revista Current Biology.
“Eles provavelmente usavam suas mandíbulas (peças bucais) para manusear suas presas de uma maneira específica”, disse Lepeco.
Suas mandíbulas se moviam para cima e para baixo, e não de um lado para o outro, como acontece nas formigas de hoje.
“Atualmente, muitas formas estranhas de mandíbulas podem ser encontradas em formigas, mas elas geralmente se articulam horizontalmente”, disse Lepeco.
Esta formiga é cerca de 13 milhões de anos mais velha que as formigas mais antigas conhecidas, espécimes encontrados na França e em Mianmar que foram preservados em âmbar, que é seiva fossilizada de árvores.
A anatomia do Vulcanidris está notavelmente bem preservada no calcário, que foi escavado há décadas na formação geológica do Crato, no estado brasileiro do Ceará, provavelmente nas décadas de 1980 ou 1990, segundo Lepeco. Permaneceu em uma coleção particular antes de ser doado ao museu de São Paulo há cerca de cinco anos.
“Eu estava procurando vespas entre os fósseis da coleção e fiquei chocado quando reconheci esta como parente próxima de uma formiga-do-inferno descrita anteriormente em âmbar birmanês”, disse Lepeco, referindo-se ao fóssil de Mianmar.
A natureza especializada da anatomia do Vulcanidris e o fato de duas formigas-do-inferno terem vivido tão longe uma da outra durante essa parte do Cretáceo sugerem que as formigas, como grupo, surgiram muitos milhões de anos antes dessa espécie recém identificada existir.
“De acordo com estimativas moleculares, as formigas surgiram entre 168 milhões e 120 milhões de anos atrás. Esta nova descoberta corrobora uma idade anterior dentro desses limites”, disse Lepeco.
Acredita-se que as formigas tenham evoluído de uma espécie de vespa. Seus parentes vivos mais próximos são as vespas e as abelhas.
Vulcanidris habitava um ecossistema repleto de vida. Fósseis da região mostram que Vulcanidris convivia com outros insetos, aranhas, milípedes, centopeias, vários crustáceos, tartarugas, crocodilos, répteis voadores chamados pterossauros, pássaros e dinossauros, incluindo o carnívoro emplumado Ubirajara. Os predadores da formiga podem ter incluído sapos, pássaros, aranhas e insetos maiores.
As formigas colonizaram quase todos os lugares da Terra, e uma pesquisa publicada em 2022 estimou que sua população total é de 20 quatrilhões em todo o mundo. Isso supera a população humana de cerca de 8 bilhões.
“Eles são um dos grupos mais abundantes na maioria dos ambientes da Terra”, disse Lepeco.
“Elas desempenham muitos papéis onde ocorrem, como predação e herbivoria, controlando populações de outros organismos. Elas também têm relações intrínsecas com plantas e insetos específicos, protegendo-os de outros animais. Formigas subterrâneas e de serapilheira ajudam na saúde do solo e também podem atuar como decompositoras, alimentando-se de organismos mortos”, disse Lepeco.
Fonte: Agência Reuters/Will Dunham
Tags: #brasil#ceará#Crato#Formiga#Fóssil

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