Sebastião Salgado, o fotógrafo brasileiro cujas imagens em preto e branco de trabalhadores, migrantes e da relação conflituosa da humanidade com a natureza cativaram o mundo, morreu de leucemia aos 81 anos, informou sua família nesta sexta-feira (23).
Salgado nasceu em 1944 em Aimorés, uma pequena cidade no estado brasileiro de Minas Gerais. Economista de formação, tornou-se fotógrafo na década de 1970, enquanto morava em Paris, após fugir com sua esposa, Lelia Wanick Salgado, do regime militar que então governava o Brasil.
Ele viajou o mundo com sua câmera e rapidamente subiu na hierarquia das agências de fotografia, tornando-se um dos fotógrafos estrelas da Magnum.
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Serra Pelada. Foto: Sebastião Salgado
Um ensaio fotográfico de 1987 de milhares de homens seminus escavando a imensa mina de Serra Pelada, no norte do Brasil, fez parte de sua série histórica Trabalhadores, na qual ele também documentou trabalhadores do petróleo no Kuwait e mineiros de carvão na Índia.
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“Kuwait, um deserto em chamas”. Foto: Sebastião Salgado
O projeto uniu sua formação como economista e seu olhar como fotógrafo, disse Neil Burgess, que foi seu agente por 40 anos.
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Indígenas waurá pesca na lagoa Piyulaga, em Mato Grosso. Foto: Sebastião Salgado
“Era incrivelmente ambicioso, e tive dificuldade em pensar em como começar a apresentar a ideia aos editores em Londres”, escreveu Burgess em um ensaio de 2019 no British Journal of Photography. E, no entanto, depois de ver seu trabalho retratando mineradores de ouro, várias das principais revistas do mundo quiseram financiá-lo, acrescentou.
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Serra Pelada. Foto: Sebastião Salgado
Salgado publicou uma série de projetos ambiciosos e épicos. Em Êxodo, na década de 2000, passou anos fotografando as jornadas extenuantes de migrantes ao redor do mundo. Em Gênesis, na década de 2010, capturou cenas monumentais da natureza, animais e povos indígenas.
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Ilhas Anavilhanas; arquipélago fluvial no rio Negro, no Amazonas. Foto: Sebastião Salgado
E na Amazônia, seu projeto mais recente, ele passou anos viajando pela maior floresta tropical do mundo para capturar alguns dos tesouros mais remotos do planeta e as comunidades que os protegem.
Beto Marubo, um defensor indígena do território Vale do Javari que passou meses com Salgado enquanto ele fotografava uma tribo em isolamento voluntário ali, disse que ficou impactado pela reflexão de seu trabalho.
“Ele queria mostrar ao mundo a importância da Amazônia como ela é”, disse Marubo.
‘Esteta da miséria’
Os críticos de Salgado o acusaram de explorar uma “estética da miséria” ao fotografar alguns dos mais pobres do mundo em seus momentos mais vulneráveis.
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Indígenas Suruwahá, no Amazonas. Foto: Sebastião Salgado
“Dizem que eu era um ‘esteta da miséria’ e tentava impor beleza ao mundo pobre. Mas por que o mundo pobre deveria ser mais feio que o mundo rico? A luz aqui é a mesma que lá. A dignidade aqui é a mesma que lá”, disse ele ao The Guardian em uma entrevista de 2024.
Para Burgess, ele fez exatamente o oposto, capturando a dignidade de seus súditos em seu momento de necessidade.
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Rio Jutaí, no Amazonas. Foto: Sebastião Salgado
“Isso pode muito bem ser reforçado pelo uso do preto e branco como meio, mas tem mais a ver com duas outras qualidades que Salgado tem em grande medida: paciência e curiosidade”, escreveu ele.
Em 1998, Salgado e sua esposa fundaram uma organização sem fins lucrativos, o Instituto Terra, para restaurar a Mata Atlântica nativa, uma das mais ameaçadas do Brasil, em sua antiga fazenda familiar. Desde então, eles plantaram 3 milhões de árvores lá.
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Filhotes de elefantes-marinhos-do-sul, na baía de Saint Andrews. Foto: Sebastião Salgado
Salgado morreu em Paris, onde morava com a esposa, devido a complicações da malária que contraiu na Indonésia em 2010, enquanto tirava fotos para seu projeto Genesis, informou sua família em um comunicado. Ele sofreu vários episódios da doença ao longo dos anos, que recentemente desencadearam uma forma grave de leucemia.
“Através das lentes de sua câmera, Sebastião lutou incansavelmente por um mundo mais justo, mais humano e mais ecológico”, disse sua família sobre ele.
Fonte: Reuters/Manuela Andreoni, Fernando Cardoso e Isabel Teles











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