Os Estados Unidos enviaram uma frota naval para o sul do Caribe como parte de uma operação contra cartéis de drogas latino-americanos. A movimentação militar inclui três destroieres equipados com mísseis guiados e três navios com capacidade de desembarque anfíbio, transportando um total de 4.500 militares, dos quais 2.200 são fuzileiros navais.
Em resposta à ação americana, Nicolás Maduro mobilizou a milícia venezuelana, convocando seus integrantes para se reunirem em quartéis e bases militares durante o fim de semana. A milícia, criada em 2005 durante o governo de Hugo Chávez, é composta por voluntários com treinamento militar básico.
Tensões diplomáticas e narcotráfico
A movimentação militar americana está relacionada a acusações contra Maduro, apontado como líder do ‘Cartel de los Soles’, uma organização criminosa que supostamente facilita a exportação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos.
O chamado “Cartel de los Soles” está no centro das tensões entre Estados Unidos e Venezuela, após mobilização militar americana na costa venezuelana. A organização é apontada como responsável por uma suposta estatização do tráfico de drogas no país sul-americano.
Segundo acusações formais apresentadas pelo governo americano em 2020, o cartel teria iniciado suas operações em 1999, coincidindo com a chegada de Hugo Chávez ao poder. A organização teria estabelecido uma complexa rede envolvendo militares e se infiltrado em diversas esferas do poder, incluindo o legislativo.
Controvérsias sobre a existência do cartel
Uma criminóloga boliviana, consultada sobre o tema, apresenta questionamentos sobre a real natureza e extensão do “Cartel de los Soles”. Segundo ela, é possível que, em vez de uma organização única e centralizada, existam grupos criminosos mais fragmentados operando no país.
A Venezuela atualmente funciona principalmente como país de trânsito de drogas, não sendo um produtor significativo. De acordo com investigações, o cartel seria responsável por operacionalizar o transporte de drogas produzidas em países como México, estabelecendo rotas através da Venezuela e Honduras até os Estados Unidos.
Um dos aspectos mais preocupantes dessas operações é a mistura de cocaína com fentanil, substância que tem contribuído significativamente para a crise de opioides nos Estados Unidos.
Percepção de ameaça
A presença de navios com capacidade de desembarque anfíbio aumenta a percepção de ameaça, pois possibilita eventuais operações terrestres na costa venezuelana. No entanto, fontes do governo brasileiro avaliam que, em um primeiro momento, a intenção dos Estados Unidos não seria realizar uma invasão militar, mas sim exercer pressão sobre governos latino-americanos não alinhados com Washington.
A operação naval americana também tem implicações para outros países da região, como Colômbia, Panamá e México, em um movimento que analistas interpretam como uma possível retomada da Doutrina Monroe, política que defende a hegemonia americana no hemisfério ocidental.
Fonte: CNN News











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