O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, disse após se reunir com Vladimir Putin, nesta sexta-feira (26), que o líder russo anunciaria uma “proposta muito boa” para acabar com a guerra na Ucrânia, que ele disse ter amplo apoio dos Estados Unidos.
Lukashenko, que se encontrou com Putin em Moscou por mais de cinco horas, não disse o que a proposta implicava, mas acrescentou que ela havia sido delineada ao presidente dos EUA, Donald Trump, quando ele realizou uma cúpula com Putin no Alasca no mês passado.
“O presidente Putin e eu discutimos isso, mas não vou falar sobre isso. O próprio presidente dirá”, disse Lukashenko, um aliado próximo de Putin.
Lukashenko diz que a proposta é boa para a Ucrânia
“É uma boa proposta para a Ucrânia, propostas que foram ouvidas por Donald Trump no Alasca, entre outros lugares, e levadas a Washington para consideração e discussão. Uma proposta muito boa”, disse Lukashenko ao repórter de TV russo Pavel Zarubin.
“Se os ucranianos não aceitarem essas propostas, será como no início da operação militar especial”, acrescentou, usando o termo usado por Moscou para a invasão da Ucrânia. “Será ainda pior; eles perderão a Ucrânia”.
A Rússia já insistiu em termos que a Ucrânia rejeita por serem equivalentes à rendição, incluindo a entrega de mais território, a renúncia das ambições de Kiev de se tornar membro da OTAN e a imposição de limites ao tamanho de suas forças armadas.
Lukashenko falou três dias depois de Trump, em uma mudança inesperada, dizer que a Ucrânia era capaz de recuperar todo o seu território perdido — o que equivale a quase um quinto do país — e deveria agir agora porque a economia da Rússia estava em sérios apuros.
O Kremlin rejeitou esses comentários, atribuindo-os ao fato de Trump ter acabado de se encontrar com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy e afirmando ter sido influenciado pela visão de Zelenskiy sobre o conflito. Zelenskiy afirmou que Putin está fingindo negociar, mas não tem interesse real na paz.
“Para evitar perder toda a Ucrânia, (Zelenskiy) não deve apenas negociar, mas concordar com termos favoráveis — termos que, em geral, foram aprovados pelos americanos”, disse Lukashenko.
Ele também sugeriu que ele, Putin e Zelenskiy, como líderes dos três estados eslavos, deveriam sentar e chegar a um acordo.
A Ucrânia diz que quer um encontro entre Zelenskiy e Putin, mas a Rússia disse que isso só pode acontecer se o líder ucraniano concordar em ir a Moscou.
Trump telefonou para Lukashenko
Lukashenko se encontra com Putin com mais frequência do que qualquer outro líder estrangeiro e apoiou sua guerra na Ucrânia, embora sem comprometer suas próprias tropas para lutar.
Ele esteve isolado durante anos por sanções ocidentais devido ao seu papel na guerra e ao seu histórico de direitos humanos. Mas Trump telefonou para ele nas últimas semanas, elogiou-o como um líder “altamente respeitado” e enviou um emissário à Bielorrússia para negociações que levaram à libertação de mais de 50 presos políticos.
Autoridades americanas afirmam que o governo Trump espera tirar a Bielorrússia da órbita geopolítica de Moscou, mesmo que apenas em certa medida. Mas alguns analistas políticos consideram isso improvável, dada a forte dependência de Lukashenko — política, econômica e militarmente — de seu vizinho muito maior.
Reforçando a proximidade do relacionamento, Belarus e Rússia realizaram exercícios militares conjuntos neste mês. Na sexta-feira, Lukashenko propôs a construção de uma usina nuclear no leste da Bielorrússia, que poderia fornecer eletricidade para as regiões da Ucrânia controladas pela Rússia.
Fonte: Reuters/Mark Trevelyan











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