O exército dos EUA mantém dois sobreviventes a bordo de um navio da Marinha após resgatá-los de um suposto navio de drogas no Caribe atingido por um ataque dos EUA que matou outras duas pessoas, disseram à Reuters três fontes familiarizadas com o assunto, nesta sexta-feira (17).
A divulgação, que não havia sido relatada anteriormente, levanta a possibilidade de que os sobreviventes do ataque de quinta-feira sejam os primeiros prisioneiros de guerra em um conflito declarado pelo presidente Donald Trump contra uma ameaça “narcoterrorista” que ele diz estar vindo da Venezuela.
O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Trump disse a repórteres que o ataque foi contra “um submarino de transporte de drogas construído especificamente para o transporte de grandes quantidades de drogas”. Ele não comentou quantas pessoas morreram ou sobreviveram ao ataque.
Uma das fontes disse que a embarcação atingida na quinta-feira estava submersa e possivelmente era um semissubmersível, uma embarcação semelhante a um submarino usada por traficantes de drogas para evitar serem detectados.
Cinco fontes familiarizadas com o assunto disseram que os militares dos EUA realizaram um resgate de helicóptero para resgatar os sobreviventes do ataque e trazê-los de volta ao navio de guerra dos EUA.
Antes da operação de quinta-feira, os ataques militares dos EUA contra supostos barcos de drogas na costa da Venezuela não deixaram nenhum sobrevivente conhecido, e vídeos apresentados pelo governo Trump mostraram embarcações sendo destruídas.
O governo Trump disse que os ataques anteriores mataram 27 pessoas, gerando alarme entre alguns especialistas jurídicos e legisladores democratas, que questionam se eles cumprem as leis da guerra.
Os ataques ocorrem em meio a um aumento de efetivo militar dos EUA no Caribe, que inclui destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados, enquanto Trump intensifica o impasse com o governo venezuelano.
Na quarta-feira, Trump revelou que havia autorizado a Agência Central de Inteligência a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que os Estados Unidos estão tentando derrubar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Em uma carta enviada esta semana ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, composto por 15 membros, vista pela Reuters, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, pediu que a ONU determinasse que os ataques dos EUA em sua costa são ilegais e que fosse emitida uma declaração apoiando a soberania da Venezuela.
No início deste mês, o Pentágono revelou ao Congresso, em uma notificação analisada pela Reuters, que Trump determinou que os Estados Unidos estão envolvidos em “um conflito armado não internacional”.
O documento tinha como objetivo explicar a justificativa legal do governo Trump para liberar a força militar dos EUA no Caribe.
Há menos de uma semana, o Pentágono anunciou que suas operações antinarcóticos na região não seriam lideradas pelo Comando Sul, sediado em Miami, que supervisiona as atividades militares dos EUA na América Latina.
Em vez disso, o Pentágono disse que uma força-tarefa estava sendo criada e seria liderada pela II Força Expedicionária de Fuzileiros Navais, uma unidade capaz de realizar operações rápidas no exterior, baseada em Camp Lejeune, na Carolina do Norte.
Essa decisão foi uma surpresa para os observadores militares dos EUA, já que um comando combatente como o Comando Sul normalmente lideraria qualquer operação de alto nível.
Na quinta-feira, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o almirante que lidera o Comando Sul dos EUA deixará o cargo no final deste ano, dois anos antes do previsto, em uma decisão surpreendente.
Fonte: Reuters/Phil Stewart e Idrees Ali











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