A fundação do bilionário Bill Gates investirá pelo menos US$ 1,4 bilhão nos próximos quatro anos para ajudar agricultores da África Subsaariana e da Ásia a terem acesso a tecnologias de adaptação a condições climáticas extremas, disse o CEO da organização.
Em declarações feitas antes da COP30, a cúpula climática que acontece na próxima semana no Brasil, Mark Suzman, diretor da Fundação Gates, afirmou que o financiamento será destinado a inovações como o mapeamento da saúde do solo e biofertilizantes que utilizam microrganismos em vez de produtos químicos para promover o crescimento das plantas.
Gates pediu, na semana passada, uma mudança radical na estratégia climática, deixando de se concentrar apenas nas metas de emissões e passando a ajudar os pobres, que estão cada vez mais sofrendo com os impactos das condições climáticas erráticas e outros extremos climáticos.
“Essas são as pessoas que contribuíram com uma fração mínima para a emissão de gases de efeito estufa que está causando as mudanças climáticas, mas são as mais afetadas porque esses impactos climáticos as atingem diretamente em termos de sua capacidade de se alimentar e alimentar suas famílias”, disse Suzman à Reuters em entrevista antes do anúncio do financiamento.
Observando que os eventos climáticos extremos, impulsionados pelas mudanças climáticas, representam uma ameaça crescente para a produção agrícola e a segurança alimentar, as Nações Unidas instaram a uma maior proteção da agricultura à medida que o aquecimento global se intensifica.
Um relatório elaborado por mais de 20 organizações, incluindo a consultoria Systemiq, concluiu que a resiliência das culturas agrícolas é uma das áreas de investimento com maior impacto. O relatório, divulgado na terça-feira (4), apontou uma necessidade generalizada para variedades de culturas resistentes às mudanças climáticas, previsões meteorológicas aprimoradas e inovações como mapeamento e orientação com auxílio de inteligência artificial.
Tecnologias agrícolas para o futuro
O Centro Internacional da Batata, uma das organizações que já se beneficiaram com financiamento da Fundação Gates, apresentou na quinta-feira uma nova variedade de batata cultivada que é resistente à requeima, uma doença que está se espalhando para altitudes mais elevadas à medida que as temperaturas globais aumentam.
“Essa nova batata foi desenvolvida no Peru através da identificação de batatas selvagens com resistência à doença e da incorporação dessa resistência em variedades cultivadas”, disse um dos pesquisadores da empresa, Thiago Mendes.
Outra empresa beneficiada, a TomorrowNow, envia atualizações meteorológicas por mensagem de texto para agricultores em países africanos, incluindo Quênia e Ruanda, ajudando-os a evitar o desperdício de sementes e suprimentos, plantando ou colhendo nos melhores momentos, disse a CEO Wanjeri Mbugua.
Suzman afirmou que existe um sólido programa de pesquisa e desenvolvimento para soluções agrícolas, mas que o objetivo mundial deveria ser levar essas soluções aos mais pobres do planeta.
“Ainda não se sabe se isso vai acontecer”, disse ele.
Fonte: Reuters/Oliver Griffin e Simon Jessop











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