Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais entraram em conflito com a Rússia e a China, na quinta-feira (12), sobre as intenções nucleares do Irã, enquanto Washington buscava, nas Nações Unidas, justificar ainda mais a guerra que iniciou contra o Irã há duas semanas.
Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros e presidido neste mês pelos Estados Unidos, a Rússia e a China tentaram, sem sucesso, bloquear uma discussão sobre um comitê criado para supervisionar e aplicar as sanções da ONU contra o Irã. A tentativa foi rejeitada por 11 votos a 2, com duas abstenções.
Em seu discurso ao Conselho, o enviado dos EUA às Nações Unidas, Mike Waltz, acusou Moscou e Pequim de buscarem proteger Teerã, bloqueando os trabalhos do chamado Comitê 1737.
“Todos os Estados-membros das Nações Unidas deveriam implementar um embargo de armas contra o Irã, proibindo a transferência e o comércio de tecnologia de mísseis e congelando os ativos financeiros relevantes”, disse Waltz.
“As disposições da ONU a serem reimpostas não são arbitrárias, mas sim têm um escopo restrito para abordar a ameaça representada pelos programas nucleares, de mísseis e de armas convencionais do Irã, bem como o apoio contínuo do Irã ao terrorismo”, disse ele.
Waltz afirmou que tanto a China quanto a Rússia não desejavam um comitê de sanções funcional “porque querem proteger seu parceiro, o Irã, e continuar a manter a cooperação em defesa que agora está novamente proibida”.
Waltz observou que, na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU reiterou que o Irã era o único Estado no mundo sem armas nucleares a ter produzido e acumulado urânio enriquecido até 60%, e se recusou a dar à AIEA acesso a esse estoque.
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, acusou os EUA e seus aliados de fomentarem “histeria em torno de supostos planos que o Irã teria para obter uma arma nuclear”, planos esses que nunca foram corroborados pelos relatórios da AIEA.
“Isso foi feito para empreender mais uma investida militar contra Teerã e garantir uma grande escalada da situação no Oriente Médio e em outras regiões”, disse ele.
O representante da China, Fu Cong, chamou Washington de “instigador” da crise nuclear iraniana e disse que o país “recorreu ao uso flagrante da força contra o Irã durante o processo de negociação, o que tornou os esforços diplomáticos inúteis”.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, disse a repórteres na quinta-feira que o programa nuclear iraniano “sempre foi exclusivamente pacífico” e que Teerã não reconheceria nenhuma tentativa de impor sanções contra o país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, usou o programa nuclear iraniano para justificar sua guerra contra o Irã. Ele afirmou este mês que o Irã teria uma arma nuclear em duas semanas se os EUA não tivessem atacado três importantes instalações nucleares em junho, uma alegação que, segundo fontes, não foi corroborada por avaliações da inteligência americana.
O Reino Unido e a França disseram ao Conselho dA França afirmou que a AIEA não era mais capaz de garantir a natureza pacífica do programa e que o arsenal nuclear de Teerã era suficiente para 10 dispositivos nucleares.
Fonte: Reuters/David Brunnstrom











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