O presidente colombiano, Gustavo Petro, rejeitou, neste sábado (27), a decisão dos EUA de revogar seu visto e acusou Washington de violar o direito internacional por suas críticas à guerra de Israel em Gaza.
Os EUA disseram, na sexta-feira, que revogariam o visto de Petro depois que ele foi às ruas de Nova York e participar de uma manifestação pró-palestina, onde pediu aos soldados americanos que desobedecessem às ordens do presidente Donald Trump.
“Não tenho mais visto para viajar para os Estados Unidos. Não me importo. Não preciso de visto… porque não sou apenas um cidadão colombiano, mas um cidadão europeu, e realmente me considero uma pessoa livre no mundo”, disse Petro nas redes sociais.
“Revogado por denunciar genocídio mostra que os EUA não respeitam mais o direito internacional”, acrescentou ele em uma publicação no X.
Israel negou repetidamente as acusações de genocídio por suas ações em Gaza e diz que está agindo em legítima defesa.
Imagens de palestinos famintos, incluindo crianças, geraram indignação global contra o ataque israelense a Gaza, que matou 65.000 pessoas, segundo autoridades de Gaza, e deslocou internamente toda a população do enclave. Vários especialistas em direitos humanos, acadêmicos e um inquérito da ONU afirmam que isso equivale a um genocídio.
Israel chama suas ações de legítima defesa após o ataque de outubro de 2023 do Hamas, que matou 1.200 pessoas e no qual mais de 250 foram feitas reféns.
Petro, dirigindo-se a uma multidão de manifestantes pró-palestinos em frente à sede da ONU em Manhattan, pediu por uma força armada global com a prioridade de libertar os palestinos e pediu aos soldados americanos que “não apontem suas armas para as pessoas. Desobedeçam às ordens de Trump. Obedeçam às ordens da humanidade”.
O Departamento de Estado postou no X que “revogaria o visto de Petro devido às suas ações imprudentes e incendiárias”.
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia disse em um comunicado que usar a revogação de visto como arma diplomática vai contra o espírito da ONU, que protege a liberdade de expressão e garante a independência dos Estados-membros em eventos da ONU.
“A ONU deveria encontrar um país anfitrião completamente neutro… que permitisse à própria Organização emitir autorização para entrar no território desse novo Estado anfitrião”, disse o ministério.
Petro não é o primeiro presidente colombiano a ter seu visto americano revogado. Em 1996, o visto do então presidente Ernesto Samper foi cancelado devido a um escândalo político envolvendo alegações de que o cartel de drogas de Cali havia financiado sua campanha presidencial.
As relações entre Bogotá e Washington se deterioraram desde que Trump voltou ao poder. No início deste ano, a Petro bloqueou voos de deportação dos EUA, o que gerou ameaças de tarifas e sanções. Posteriormente, os dois lados chegaram a um acordo.
Em julho, ambos os países chamaram de volta seus embaixadores depois que Petro acusou autoridades americanas de planejar um golpe, uma alegação que Washington chamou de infundada.
Petro cortou relações diplomáticas com Israel em 2024 e proibiu as exportações de carvão colombiano para o país.
Fonte: Reuters/Luis Jaime Acosta e Natalia Siniawski











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