Um grupo de supostos golpistas no Brasil que usam anúncios do Instagram com deepfakes da supermodelo Gisele Bündchen e outras celebridades deve ter ganho milhões de dólares por meio de fraudes online, de acordo com investigadores da Polícia Federal.
As autoridades prenderam quatro suspeitos ligados ao esquema esta semana e congelaram bens em cinco estados em uma investigação que encontrou mais de 20 milhões de reais (US$ 3,9 milhões) em fundos suspeitos identificados pelo órgão federal de combate à lavagem de dinheiro (COAF).
A operação marca uma das primeiras tentativas no Brasil de combater o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para manipular imagens e vídeos de celebridades para golpes online.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em junho que as plataformas de mídia social podem ser responsabilizadas por anúncios criminosos postados por usuários se não agirem rapidamente para remover o conteúdo, mesmo sem uma ordem judicial.
A proprietária do Instagram, Meta, afirmou que suas políticas proíbem “anúncios que usam figuras públicas de forma enganosa para tentar enganar as pessoas” e disse que remove tais anúncios “quando detectados”. A empresa afirmou em um comunicado que possui “sistemas especializados para detectar iscas de celebridades, investe pesadamente em equipes de revisão treinadas, compartilha dicas para evitar golpes e oferece ferramentas para denunciar possíveis violações”.
Um porta-voz da equipe de Bündchen aconselhou os consumidores a terem cuidado com descontos incomuns em anúncios com celebridades, verificar a autenticidade das ofertas por meio de canais oficiais da marca ou de celebridades e denunciar possíveis golpes às autoridades.
A investigação anunciada esta semana por investigadores da polícia do estado do Rio Grande do Sul começou em agosto de 2024, depois que uma vítima relatou ter sido enganada por um anúncio do Instagram que mostrava um vídeo alterado de Bündchen promovendo um produto para a pele.
Outro anúncio usou a imagem da supermodelo para prometer uma distribuição de malas, com os compradores pagando taxas de envio por itens que nunca chegaram.
“Identificamos que o grupo criminoso aplicava uma série de outros golpes, envolvendo deepfakes de outras celebridades e plataformas de apostas falsas”, disse Eibert Moreira Neto, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul.
Os investigadores estão apurando as acusações de lavagem de dinheiro e fraude online. Eles observaram que a maioria das vítimas perdeu pequenas quantias, geralmente menos de R$ 100 (US$ 19), e não denunciou os crimes.
“Isso criou uma situação perversa, na qual os criminosos desfrutavam de uma espécie de ‘imunidade estatística’. Eles sabiam que a maioria das pessoas não os denunciaria, então operavam em larga escala, sem medo”, disse Isadora Galian, da unidade de crimes cibernéticos, em um comunicado.
Fonte: Reuters/Debora Ely











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