Taiwan permanece em alerta máximo, nesta quarta-feira (31), após a China realizar exercícios militares massivos ao redor da ilha no dia anterior. O centro de resposta marítima de emergência manteve-se em funcionamento, monitorando as manobras navais chinesas, informou a guarda costeira.
Os exercícios denominados “Missão Justiça 2025” viram a China disparar dezenas de foguetes em direção a Taiwan e mobilizar um grande número de navios de guerra e aeronaves perto da ilha, numa demonstração de força que gerou preocupação entre os aliados ocidentais.
Taipei condenou os exercícios militares, classificando-os como uma ameaça à segurança regional e uma provocação flagrante.
De acordo com Kuan Bi-ling, chefe do Conselho de Assuntos Oceânicos de Taiwan, os navios chineses estavam se afastando de Taiwan, mas Pequim ainda não havia declarado formalmente o fim dos exercícios.
“A situação marítima se acalmou, com navios e embarcações gradualmente deixando o local. Como a China não anunciou o fim dos exercícios militares, o centro de resposta a emergências permanece operacional”, disse ela em uma publicação no Facebook na noite de terça-feira.
Um oficial da guarda costeira de Taiwan disse que todos os 11 navios da guarda costeira chinesa haviam deixado as águas próximas a Taiwan e continuavam se afastando. Um oficial de segurança taiwanês afirmou que os centros de resposta a emergências das forças armadas e da guarda costeira permaneciam ativos.
O Ministério da Defesa de Taiwan informou na quarta-feira que 77 aeronaves militares chinesas e 25 embarcações da marinha e da guarda costeira estiveram operando ao redor da ilha nas últimas 24 horas.
Entre eles, 35 aviões militares cruzaram a linha mediana do Estreito de Taiwan que separa os dois lados, acrescentou.
“Aviso severo”
Enquanto os exercícios militares conjuntos decorriam, os embaixadores na China dos países que compõem o grupo Quad, formado para conduzir o diálogo de segurança, reuniram-se em Pequim na terça-feira (30).
O embaixador dos Estados Unidos, David Perdue, publicou no X uma foto sua com os embaixadores da Austrália, Japão e Índia na embaixada americana. Ele chamou o Quad de uma “força para o bem” que trabalha para manter um Indo-Pacífico livre e aberto, mas não deu detalhes sobre a reunião.
A embaixada dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a reunião.
Os exercícios militares, os mais extensos jogos de guerra da China em termos de área de cobertura até o momento, forçaram Taiwan a cancelar dezenas de voos domésticos e a enviar jatos e navios de guerra para monitorar a situação. Soldados foram vistos realizando exercícios de resposta rápida, incluindo a instalação de barricadas em vários locais.
A China considerou os exercícios uma “medida necessária e justa” para salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial, declarou Zhang Han, porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan, a jornalistas, na quarta-feira (31), durante uma coletiva de imprensa semanal. Ela acrescentou que se tratavam de “um aviso severo contra as forças separatistas independentistas de Taiwan e a interferência externa”.
A agência de notícias estatal chinesa Xinhua publicou um artigo resumindo “três pontos-chave” dos exercícios militares, que começaram 11 dias depois de os Estados Unidos anunciarem um pacote recorde de US$ 11,1 bilhões em armas para Taiwan.
O artigo afirma que o “cerco” simulado demonstrou a capacidade do Exército de Libertação Popular de “pressionar e conter as forças separatistas, negando-lhes acesso a interferências externas – uma abordagem resumida como ‘isolamento interno e bloqueio externo'”, citando Zhang Chi, professor da Universidade de Defesa Nacional do Exército de Libertação Popular.
A China reivindica Taiwan, governada democraticamente, como seu próprio território e não descartou o uso da força para tomá-la sob controle chinês. Taiwan rejeita as reivindicações da China.
Fonte: Reuters/Yimou Lee
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