Especialistas que investigam a causa do descarrilamento de um trem de alta velocidade na Espanha, ocorrido no domingo (18) e que matou pelo menos 39 pessoas, encontraram uma junta quebrada nos trilhos, segundo uma fonte a par das investigações iniciais sobre o desastre.
Os vagões descarrilados colidiram com um trem que vinha na direção oposta, empurrando-o para fora dos trilhos e para baixo de um aterro, em um dos piores desastres ferroviários da Europa nos tempos modernos.
O acidente ocorreu perto de Adamuz, na província de Córdoba, no sul do país, a cerca de 360 km ao sul da capital, Madri.
Técnicos no local, ao analisarem os trilhos, identificaram um desgaste na junção entre as seções do trilho, conhecida como tala de junção, o que, segundo eles, indicava que a falha já existia há algum tempo, disse a fonte.
Descobriram que a junta defeituosa criava uma folga entre as seções do trilho, que aumentava à medida que os trens continuavam a circular na linha.
A fonte, que pediu para não ser identificada devido à delicadeza do assunto, disse que os técnicos acreditam que a junta defeituosa é fundamental para identificar a causa exata do acidente.
A Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), encarregada da investigação geral sobre as causas do desastre, não respondeu de imediato aos pedidos de comentários.
A operadora ferroviária espanhola, Adif, e o Ministério dos Transportes espanhol – que supervisiona a CIAF – também não responderam aos pedidos de comentários.

Foto: REUTERS/Susana Vera
Álvaro Fernandez Heredia, presidente da Renfe, empresa que opera o segundo trem a descarrilar, disse à rádio Cadena Ser que ainda era cedo para falar sobre a causa. No entanto, afirmou que o acidente ocorreu em “condições estranhas” e acrescentou que “o erro humano está praticamente descartado”.
Resultados iniciais da inspeção
Os primeiros vagões do trem operado pela empresa espanhola Iryo passaram pelo vão nos trilhos, mas o oitavo e último vagão descarrilou, levando consigo o sétimo e o sexto vagões, disse a fonte.
A Iryo é uma operadora ferroviária privada, detida maioritariamente pelo grupo ferroviário estatal italiano Ferrovie dello Stato.
A fonte apontou para uma fotografia que mostra a falha na grade vertical, a qual também constava em uma imagem divulgada à imprensa pela Guarda Civil espanhola. A área foi marcada com números de ocorrência policial à medida que era fotografada por peritos forenses.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro dos Transportes, Óscar Puente, estavam entre as autoridades que visitaram o local do acidente na manhã de segunda-feira. Sánchez cancelou sua viagem ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, após o acidente.
Puente afirmou que o trem Iryo tinha menos de quatro anos e que a linha férrea havia sido completamente renovada em maio passado.
A fabricante de trens, Hitachi Rail, realizou uma inspeção no trem em 15 de janeiro como parte da manutenção de rotina e não encontrou nenhuma anomalia, disse a fonte à Reuters.
O trem é um Frecciarossa 1000, o mesmo modelo usado na rede de alta velocidade da Itália.
Fonte: Reuters











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