O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou, nesta quinta-feira (22), seu Conselho da Paz, inicialmente concebido para consolidar o frágil cessar-fogo em Gaza , mas que ele prevê que assumirá um papel mais amplo, preocupando outras potências globais, embora tenha afirmado que trabalhará com as Nações Unidas.
“Assim que este conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, disse Trump, acrescentando que a ONU tem um grande potencial que não foi totalmente aproveitado.
Trump, que presidirá o conselho, convidou dezenas de outros líderes mundiais para participar, afirmando que deseja que ele aborde desafios que vão além do instável cessar-fogo em Gaza, o que gerou receios de que isso possa prejudicar o papel da ONU como principal plataforma para a diplomacia global e a resolução de conflitos.
Embora potências regionais do Oriente Médio, incluindo Turquia, Egito, Arábia Saudita e Catar, bem como importantes nações emergentes como a Indonésia, tenham aderido ao conselho, as potências globais e os aliados tradicionais dos EUA no Ocidente têm se mostrado mais cautelosos.
Trump afirma que os membros permanentes devem contribuir com US$ 1 bilhão cada para o financiamento, e a Reuters não conseguiu identificar imediatamente nenhum representante dos governos das principais potências globais, de Israel ou da Autoridade Palestina na cerimônia de assinatura.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o foco do conselho seria garantir que o plano de paz em Gaza fosse cumprido, mas que também poderia “servir de exemplo do que é possível em outras partes do mundo”.
Papel global
Além dos Estados Unidos, nenhum outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU — as cinco nações com maior influência sobre o direito internacional e a diplomacia desde o fim da Segunda Guerra Mundial — se comprometeu a aderir até o momento.
A Rússia afirmou na noite de quarta-feira que estava estudando a proposta, após Trump ter declarado que o país aderiria ao tratado. O presidente Vladimir Putin disse que Moscou estava disposta a pagar US$ 1 bilhão, provenientes de ativos americanos congelados nos Estados Unidos, “para apoiar o povo palestino”, segundo a mídia estatal.
A França recusou o convite. O Reino Unido afirmou na quinta-feira que não participará neste momento. A China ainda não se pronunciou sobre se irá aderir.
A criação do conselho foi aprovada por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas como parte do plano de paz de Trump para Gaza, e o porta-voz da ONU, Rolando Gomez, disse na quinta-feira que o envolvimento da ONU com o conselho se daria apenas nesse contexto.
Poucos dos países que aderiram ao conselho são democracias, embora Israel, Argentina e Hungria, cujos líderes são aliados próximos de Trump e apoiadores de sua abordagem política e diplomática, tenham afirmado que participarão.
“Há um enorme potencial nas Nações Unidas, e acho que a combinação do Conselho de Paz com o tipo de pessoas que temos aqui… pode ser algo muito, muito singular para o mundo”, disse Trump, que há muito tempo menospreza a ONU e outras instituições de cooperação multilateral.
O conselho também inclui Rubio, os negociadores americanos para Gaza, Jared Kushner e Steve Witkoff, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Fonte: Reuters/Steve Holland











Comente este post