Vinte e seis mortes suspeitas de Ebola foram registradas em 24 horas no leste da República Democrática do Congo, disseram as autoridades nesta terça-feira, e o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou profunda preocupação com a disseminação do surto.
As novas mortes elevaram para 131 o número de óbitos associados ao surto no leste da RDC . Houve 543 casos suspeitos e 33 casos confirmados na RDC, de acordo com as autoridades de saúde congolesas, e dois casos confirmados na vizinha Uganda.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou no sábado que o surto da rara cepa Bundibugyo do vírus constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional, sendo esta a primeira vez que um chefe da OMS o faz antes de convocar um comitê de emergência.
O surto alarmou os especialistas porque conseguiu se espalhar por semanas sem ser detectado em uma área densamente povoada e devastada pela violência armada generalizada. Um surto ocorrido entre 2018 e 2020 no leste da República Democrática do Congo foi o segundo mais mortal já registrado, com quase 2.300 mortes.
Butembo, uma cidade com centenas de milhares de habitantes, registrou seus dois primeiros casos confirmados na segunda-feira, disse à Reuters Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) do Congo.
As autoridades ugandesas começaram a restringir a circulação na fronteira entre Ishasha e Kyeshero, disse à Reuters Ambrose Amanyire Mwesigye, um funcionário do governo local, embora tenha afirmado que a fronteira não foi formalmente fechada.
Mais ao sul, congoleses que tentavam cruzar para Ruanda a partir das cidades de Goma e Bukavu estavam sendo impedidos na fronteira, disseram repórteres da Reuters. Não foi possível contatar imediatamente autoridades ruandesas para comentar o assunto.
No sábado, a OMS instou os países a não fecharem suas fronteiras, afirmando que isso poderia levar a travessias informais de fronteira que não são monitoradas.
Americanos serão evacuados para a Alemanha
O ebola, que se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, tem uma taxa de mortalidade média de cerca de 50%, segundo a OMS.
“Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, disse Tedros aos membros da Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, na terça-feira.
A representante da OMS na RDC, Anne Ancia, afirmou que a identificação de casos foi dificultada pela capacidade limitada de diagnóstico da cepa Bundibugyo, com apenas seis testes possíveis por hora.
Especialistas afirmam que a demora na detecção do surto demonstra falhas na preparação após cortes orçamentários feitos pelos EUA e outros grandes doadores para o financiamento da saúde global.
“Parece que desperdiçamos uma pandemia porque todos voltaram a fazer o que estavam fazendo”, disse o ministro da Saúde de Serra Leoa, Austin Demby, em Genebra.
Um americano testou positivo para o vírus Ebola, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA nesta segunda-feira.
O indivíduo, identificado como o médico Peter Stafford por sua organização missionária cristã, e outros seis americanos que foram expostos ao vírus foram transferidos para a Alemanha para receberem cuidados e serem monitorados, informou o CDC.
Os Estados Unidos suspenderam a entrada de viajantes que estiveram na República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias, com algumas exceções, por um período de 30 dias, e aconselharam os americanos a não viajarem para esses países por nenhum motivo.
Em um comunicado divulgado na terça-feira, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), principal agência de saúde do continente, afirmou que tais restrições podem prejudicar as economias, desencorajar a transparência e complicar as operações humanitárias.
Fonte: Reuters/Erikas Mwisi e Emma Farge











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