A Polícia Federal brasileira, com o apoio da Interpol, destruiu centenas de dragas utilizadas na mineração ilegal de ouro ao longo do rio Madeira, em uma das maiores operações coordenadas já realizadas contra redes criminosas que atuam na bacia amazônica.
A agência policial internacional afirmou, nesta segunda-feira (3), que agentes desmantelaram 277 plataformas flutuantes de mineração, avaliadas em cerca de US$ 6,8 milhões. Levando em consideração o ouro perdido, os equipamentos e os danos ambientais, as autoridades estimaram o prejuízo financeiro total para os grupos do crime organizado em cerca de US$ 193 milhões.
O rio Madeira, um dos maiores afluentes do Amazonas, nasce nos Andes, atravessa a Bolívia e chega ao norte do Brasil antes de desaguar no rio Amazonas — uma região há muito afetada pela mineração ilegal e crimes ambientais.
As operações foram lideradas pela Divisão de Proteção da Amazônia e do Meio Ambiente da Polícia Federal do Brasil, uma unidade especial focada no combate a crimes ambientais, com o apoio de um novo centro de coordenação regional que conecta agências de segurança pública de diversos países amazônicos. Mais de 100 agentes utilizaram dados de satélite para mapear 400 quilômetros quadrados de áreas florestais e ribeirinhas afetadas pela mineração, informou a Interpol.
A Interpol — a organização internacional que auxilia a polícia em quase 200 países no compartilhamento de informações e na coordenação de operações — afirmou que a repressão se baseia em uma série de missões transfronteiriças recentes na América Latina, visando a mineração ilegal de ouro, a exploração madeireira e o tráfico de animais silvestres. Esses crimes estão entre os principais impulsionadores do desmatamento e da contaminação dos rios na Amazônia e, frequentemente, financiam redes de crime organizado mais amplas.
A operação ocorre poucas semanas antes de líderes mundiais se reunirem na cidade de Belém, no norte do Brasil, para a COP30, onde o Brasil deverá destacar seus esforços para conter a destruição da Amazônia e a mineração ilegal.
“Esta operação marca um novo capítulo em nosso esforço coletivo para proteger a Amazônia”, disse o secretário geral da Interpol, Valdecy Urquiza, em um comunicado, afirmando que ela comprova que a cooperação regional pode atingir as redes financeiras por trás dos crimes ambientais.
A Interpol informou que agentes de ligação da Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Peru e Suriname participaram da operação, embora não tenha especificado quando ela ocorreu.
As autoridades informaram que amostras de sedimentos e outros materiais foram coletadas para análise forense, a fim de rastrear sua origem e detectar substâncias perigosas como mercúrio e cianeto. Os moradores também foram submetidos a testes para verificar possível exposição a substâncias tóxicas relacionadas às atividades de mineração de ouro.
A Polícia Federal do Brasil afirmou que as investigações subsequentes visam identificar e processar os financiadores e líderes por trás do comércio ilícito de ouro — e não apenas os garimpeiros, que muitas vezes são explorados no processo.
Fonte: Associated Press (AP)/Steven Grattan











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