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Home Meio Ambiente

América Latina: Operação da Interpol contra crimes ambientais resulta em 225 prisões

por Redação
25 de outubro de 2025
em Meio Ambiente, Mundo
Reading Time: 3 mins read
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América Latina: Operação da Interpol contra crimes ambientais resulta em 225 prisões

Homens procuram ouro em uma mina ilegal na selva amazônica, na região de Itaituba, no estado do Pará, Brasil, em 2020. Foto: AP/Lucas Dumphreys

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Uma operação policial multinacional de dois meses abrangendo nove países latino-americanos resultou em 225 prisões por crimes ambientais e centenas de novas investigações sobre extração ilegal de madeira, tráfico de vida selvagem e mineração de ouro, informou a Interpol nesta sexta-feira (24).

O anúncio marcou os primeiros comentários públicos sobre a repressão denominada Operação Madre Tierra VII, coordenada pelo escritório da Interpol para a América Central.

A operação de maio/junho contou com o auxílio da unidade de segurança ambiental da Interpol, informou a organização policial internacional sediada em Paris.

A Interpol, que ajuda países a compartilhar inteligência e coordenar investigações transfronteiriças, disse que o esforço revelou mais de 400 casos de crimes ambientais, incluindo extração ilegal de madeira, tráfico de vida selvagem, violações de pesca, mineração ilegal e crimes de poluição.

Entre as violações mais frequentes estavam 203 crimes relacionados à silvicultura e 138 ligados ao comércio ilegal de animais selvagens, disse.

A operação também expôs rotas transnacionais que chegavam até a Europa e a Ásia, revelando como as redes do crime organizado estão cada vez mais impulsionando o desmatamento, a mineração ilegal e a exploração de espécies protegidas em toda a região.

Uma grande variedade de contrabando foi apreendida: aves vivas, répteis, tartarugas, primatas e grandes felinos, além de 2,4 toneladas de barbatanas de tubarão e raia. Cerca de 875 quilos de totoaba — um peixe criticamente ameaçado de extinção — e 7 quilos de pepino-do-mar seco.

A Interpol disse que as apreensões destacam a exploração contínua de espécies protegidas para lucrativos mercados internacionais.

Os resultados ressaltam como redes criminosas organizadas estão transformando espécies e florestas protegidas em cadeias de commodities transcontinentais, com profundas consequências para os ecossistemas e a resiliência climática.

A Interpol e agências parceiras realizaram ações semelhantes na tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina, que resultaram em 26 prisões por tráfico ilegal de madeira.

Grandes quantidades de madeira extraída ilegalmente, incluindo pinheiro, carvalho e cedro e jacarandá de alto valor, também foram confiscadas. O jacarandá pode custar até US$ 6.000 por metro cúbico no mercado negro, de acordo com a Interpol, ressaltando os lucros que impulsionam a destruição das florestas.

Investigadores identificaram pontos críticos de desmatamento abrangendo mais de 50.000 hectares, muitos deles ligados a grupos criminosos organizados que operam em todos os continentes.

No Panamá, um caso importante revelou mineração ilegal de ouro em larga escala envolvendo trabalho infantil, tráfico de pessoas e contaminação de rios e solo por mercúrio.

A operação também resultou na apreensão de armas, veículos, barcos e equipamentos de comunicação. As autoridades informaram que investigações adicionais estão em andamento e um relatório analítico final será apresentado no final de novembro.

Oscar Soria, presidente executivo da The Common Initiative, um think tank ambiental, disse à Associated Press que a operação mostra como o crime ambiental na América Latina “se tornou profundamente integrado às redes tradicionais do crime organizado”, à medida que os grupos de tráfico de drogas se expandem para a mineração ilegal, extração de madeira e contrabando de vida selvagem.

“Esses crimes de baixo risco e alto lucro agora financiam grupos armados e prosperam com a corrupção em múltiplos níveis”, disse Soria. “O que é urgentemente necessário é uma resposta estrutural — não apenas prisões, mas uma governança mais forte, melhor coordenação regional e esforços para recuperar territórios onde as redes criminosas preenchem o vazio deixado pelo Estado.”

A operação fez parte do Projeto GAIA, um programa apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, e policiais de países como Colômbia, México e Costa Rica participaram do esforço coordenado, disse a Interpol.

 

 

Fonte: Associated Press (AP)/Steven Grattan

Tags: #américalatina#CrimesAmbientais#Interpol

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