Uma operação policial multinacional de dois meses abrangendo nove países latino-americanos resultou em 225 prisões por crimes ambientais e centenas de novas investigações sobre extração ilegal de madeira, tráfico de vida selvagem e mineração de ouro, informou a Interpol nesta sexta-feira (24).
O anúncio marcou os primeiros comentários públicos sobre a repressão denominada Operação Madre Tierra VII, coordenada pelo escritório da Interpol para a América Central.
A operação de maio/junho contou com o auxílio da unidade de segurança ambiental da Interpol, informou a organização policial internacional sediada em Paris.
A Interpol, que ajuda países a compartilhar inteligência e coordenar investigações transfronteiriças, disse que o esforço revelou mais de 400 casos de crimes ambientais, incluindo extração ilegal de madeira, tráfico de vida selvagem, violações de pesca, mineração ilegal e crimes de poluição.
Entre as violações mais frequentes estavam 203 crimes relacionados à silvicultura e 138 ligados ao comércio ilegal de animais selvagens, disse.
A operação também expôs rotas transnacionais que chegavam até a Europa e a Ásia, revelando como as redes do crime organizado estão cada vez mais impulsionando o desmatamento, a mineração ilegal e a exploração de espécies protegidas em toda a região.
Uma grande variedade de contrabando foi apreendida: aves vivas, répteis, tartarugas, primatas e grandes felinos, além de 2,4 toneladas de barbatanas de tubarão e raia. Cerca de 875 quilos de totoaba — um peixe criticamente ameaçado de extinção — e 7 quilos de pepino-do-mar seco.
A Interpol disse que as apreensões destacam a exploração contínua de espécies protegidas para lucrativos mercados internacionais.
Os resultados ressaltam como redes criminosas organizadas estão transformando espécies e florestas protegidas em cadeias de commodities transcontinentais, com profundas consequências para os ecossistemas e a resiliência climática.
A Interpol e agências parceiras realizaram ações semelhantes na tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina, que resultaram em 26 prisões por tráfico ilegal de madeira.
Grandes quantidades de madeira extraída ilegalmente, incluindo pinheiro, carvalho e cedro e jacarandá de alto valor, também foram confiscadas. O jacarandá pode custar até US$ 6.000 por metro cúbico no mercado negro, de acordo com a Interpol, ressaltando os lucros que impulsionam a destruição das florestas.
Investigadores identificaram pontos críticos de desmatamento abrangendo mais de 50.000 hectares, muitos deles ligados a grupos criminosos organizados que operam em todos os continentes.
No Panamá, um caso importante revelou mineração ilegal de ouro em larga escala envolvendo trabalho infantil, tráfico de pessoas e contaminação de rios e solo por mercúrio.
A operação também resultou na apreensão de armas, veículos, barcos e equipamentos de comunicação. As autoridades informaram que investigações adicionais estão em andamento e um relatório analítico final será apresentado no final de novembro.
Oscar Soria, presidente executivo da The Common Initiative, um think tank ambiental, disse à Associated Press que a operação mostra como o crime ambiental na América Latina “se tornou profundamente integrado às redes tradicionais do crime organizado”, à medida que os grupos de tráfico de drogas se expandem para a mineração ilegal, extração de madeira e contrabando de vida selvagem.
“Esses crimes de baixo risco e alto lucro agora financiam grupos armados e prosperam com a corrupção em múltiplos níveis”, disse Soria. “O que é urgentemente necessário é uma resposta estrutural — não apenas prisões, mas uma governança mais forte, melhor coordenação regional e esforços para recuperar territórios onde as redes criminosas preenchem o vazio deixado pelo Estado.”
A operação fez parte do Projeto GAIA, um programa apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, e policiais de países como Colômbia, México e Costa Rica participaram do esforço coordenado, disse a Interpol.
Fonte: Associated Press (AP)/Steven Grattan











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