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Home Anchieta

Anchieta: 150 anos da imigração italiana em terras de Benavente

*Texto: Ivan Petri Florentino

por Redação
28 de setembro de 2025
em Anchieta, Cultura
Reading Time: 7 mins read
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Anchieta: 150 anos da imigração italiana em terras de Benavente

Foto: Albert Richert Dieyze, 1874. Segunda foto e montagem: fotógrafo Aureliano Gonçalves, 2008/Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.

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No dia 7 de setembro de 2025, a Gerência Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico (GMCPH), representada pelo Gerente Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Prof. Robson Mattos dos Santos — Portaria nº 700/2025 —, prestigiou o evento cultural e histórico realizado na Comunidade de Alto Pontal, em Anchieta-ES, em celebração aos 150 anos da imigração italiana e aos 20 anos de fundação do Grupo de Dança Folclórica “Nonna Adélia”. Trata-se de um momento de resgate da história e da cultura que se somam à identidade etnológica da população anchietense.

Ao reafirmar seu compromisso com a preservação da memória histórico-cultural da comunidade ítalo-brasileira — compromisso também reforçado pelo Gerente Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Prof. Robinho, que tem dedicado sua gestão ao fortalecimento das ações de valorização da identidade e da memória coletiva do município de Anchieta-ES, por meio de iniciativas de incentivo ao resgate da cultura e da história —, fica evidente que reconhecer e preservar nossas raízes é garantir que as futuras gerações compreendam e se orgulhem de sua própria história.

A imigração italiana para o Espírito Santo, especialmente para a antiga Vila Nova de Benevente (Benavente) — freguesia de Nossa Senhora da Assunção —, insere-se em um contexto social e econômico de profundas dificuldades enfrentadas pelas populações do norte da Itália, em especial nas regiões de Trento e Gênova. Nessas localidades, no século XIX, as condições de vida eram marcadas pela pobreza, pelo excesso populacional, pela fragmentação das terras agrícolas e pela instabilidade política. Muitos camponeses viviam em situação de subsistência, enfrentando crises de fome, desemprego e pesados impostos. A busca por melhores condições de vida, aliada ao incentivo do governo brasileiro em atrair mão de obra para substituir o trabalho escravizado após a Abolição (1888), foi determinante para o deslocamento em massa desses imigrantes.

As condições de saúde dos imigrantes que se deslocavam rumo ao Brasil no século XIX e início do XX eram, em sua maioria, extremamente precárias. A longa travessia marítima, realizada em navios superlotados e sem a devida higiene, favorecia a propagação de enfermidades contagiosas, como febre tifoide, cólera e tuberculose. A ausência de assistência médica adequada, aliada à má alimentação e à escassez de água potável, agravava ainda mais o quadro sanitário. Muitos não resistiam ao percurso e faleciam a bordo, sendo seus corpos lançados ao mar como prática usual da época, tanto para evitar a contaminação dos demais viajantes quanto pela impossibilidade de conservação dos cadáveres. Essa realidade evidencia a vulnerabilidade das populações migrantes diante das adversidades da viagem transatlântica e revela o caráter desumano que marcou parte significativa do processo imigratório.

No Espírito Santo, os italianos contribuíram de forma significativa para a formação cultural e social, trazendo consigo costumes, saberes agrícolas, práticas religiosas e tradições que marcaram a identidade local. Entre os principais hábitos que se perpetuaram destacam-se a culinária baseada em massas, pães e vinhos, as festas comunitárias, as cantorias e a valorização da vida familiar e comunitária. Essas manifestações, ao longo do tempo, incorporaram-se à cultura capixaba, criando uma identidade híbrida ítalo-brasileira.

O processo migratório, entretanto, foi marcado por enormes desafios. A travessia atlântica, realizada em navios de longo curso, era frequentemente precária: superlotação, falta de higiene, alimentação insuficiente e a propagação de doenças tornavam o ambiente insalubre. Muitos não resistiam e, em caso de óbito, os corpos eram lançados ao mar, o que conferia à viagem um caráter de sofrimento e incerteza. Ao chegarem ao Espírito Santo, os imigrantes desembarcavam em portos como o de Benevente, também conhecido como Porto de Cima, onde eram supervisionados pelo agente de imigração.

Documentos históricos registram que, ao desembarcarem no porto da Vila Nova de Benevente, os imigrantes ficavam sob a responsabilidade do agente de imigração, que realizava a vistoria dos “documentos” e os encaminhava à hospedaria de quarentena, também conhecida como Casarão de Quarentena. Posteriormente, eram direcionados para os territórios de povoamento. Nesse contexto, destaca-se a atuação do ex-ministro do Paço Municipal e agenciador da migração, Manoel dos Passos Martins, que cedeu sua residência — a casa-grande da Fazenda São Martinho — para hospedar os recém-chegados da Itália. Dessa forma, compuseram o cenário histórico-cultural da formação da população anchietense.

Os imigrantes italianos encontravam apoio também dos padres locais, que disponibilizavam um barracão para hospedagem, alimentação e primeiros cuidados médicos. Não permaneciam, contudo, os tradicionais quarenta dias de quarentena, mas apenas o tempo necessário para a recuperação da longa viagem. Em seguida, seguiam por batelões ou sumacas rio acima até os territórios destinados à colonização, como Dois Irmãos, Alto Joeba, Alto Pongal, Itaperoroma Baixa, Córrego da Prata, Baixo Pongal e Serra das Graças.

As primeiras habitações erguidas por esses colonos revelavam a precariedade e a criatividade diante do ambiente desconhecido: barracões de madeira improvisados, abrigos entre árvores, pequenas grutas adaptadas e casas de pau a pique. Essa arquitetura inicial, marcada pela rusticidade, conferiu às comunidades uma característica colonial imigratória, que, com o tempo, evoluiu para construções mais duradouras de pedra e cal, tijolos e paredes de estuque, preservadas ainda hoje em algumas localidades do interior.

Um exemplo marcante desse processo foi a chegada do navio Ádria, procedente de Gênova, que aportou em Vitória em 27 de dezembro de 1888, trazendo 268 imigrantes italianos, dos quais parte foi destinada a Benevente. Entre 1875 e 1894, segundo dados do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (2024), cerca de 8.000 imigrantes chegaram à região, sendo distribuídos em territórios demarcados pela administração da Vila Nova de Benevente, atual Anchieta. Esses colonos, vencendo os percursos a pé ou por rios como o Benevente e o Pongal, estabeleceram-se e formaram novas comunidades.

A imigração italiana ocorreu de forma mais intensa entre 1875 e 1894, período em que Benevente foi elevada à categoria de cidade, em 02 de dezembro de 1887, recebendo o nome de Anchieta em homenagem ao Padre José de Anchieta, São José de Anchieta, fundador da cidade. Atualmente, a memória desse processo pode ser acessada em espaços de preservação, como o monumento dedicado às famílias imigrantes, localizado na Praça dos Imigrantes, próximo ao mercado de peixe — local simbólico que remete ao desembarque dos colonos no final do século XIX, onde seus sobrenomes permanecem inscritos no obelisco monumental.

Na Vila Nova de Benevente, freguesia de Nossa Senhora da Assunção, os italianos contribuíram de forma significativa para a formação cultural e social, o que se faz presente até hoje no cotidiano da cidade. Trouxeram consigo costumes, saberes agrícolas, práticas religiosas e tradições que marcaram a identidade local. Entre os principais hábitos que se perpetuaram destacam-se a culinária, marcada pelo preparo de massas artesanais, pães, vinhos, polentas e quitutes de tradição camponesa, além da valorização de hortas e pomares familiares. As vestimentas típicas, utilizados em festas e celebrações, também revelavam a herança cultural, com trajes que mesclavam elementos rurais italianos adaptados ao clima tropical. Essas manifestações, ao longo do tempo, foram incorporadas à cultura capixaba, constituindo uma identidade híbrida ítalo-brasileira que ainda se preserva em festas comunitárias, grupos folclóricos e celebrações religiosas.
A música e a dança sempre tiveram papel central na vida das comunidades de origem italiana. Canções expressavam sentimentos, descreviam a paisagem e narravam o cotidiano, acompanhando momentos festivos e religiosos, casamentos, celebrações e até cortejos fúnebres. A dança tradicional também foi resgatada com a criação, em 2006, do Grupo di Ballo Nonna Adélia (inicialmente chamado Grupo de Dança Folclorística Nonna Adélia), formado para homenagear Adélia Lorencini Passamani, então a moradora mais idosa de Alto Pongal (SOUZA, Emilio Petri de, 2014).
Outro aspecto marcante da herança cultural está na religiosidade: os imigrantes, ao se estabelecerem, priorizavam a construção de capelas para reunir a comunidade em celebrações religiosas. Todos colaboravam com materiais e mão de obra, como ocorreu com a edificação da Capela do Sagrado Coração de Jesus, na antiga “Vila de Pongal”, erguida ainda no final do século XIX e que permanece como símbolo da fé e da união daquela comunidade.

Sobre a história da capela, registra-se que:
“A capela já tinha seu orago — Sagrado Coração de Jesus — desde 1911, com última provisão registrada em 1924. Provavelmente já havia celebrações e pastorais antes de sua consagração oficial, como ocorre até os dias atuais, quando o pároco, junto à Arquidiocese de Vitória, autoriza a construção e posteriormente realiza a consagração com o bispo. A provisão da capela está registrada na décima segunda linha do documento localizado no Livro de Provisões da Capela (1911-1940). Naquele período, a Arquidiocese de Vitória já existia como diocese; contudo, os padres que administravam a Paróquia Nossa Senhora da Assunção não eram jesuítas, pois estes só retornariam em 1928, iniciando as visitas pastorais entre 1928 e 1930. A primitiva capela de Pongal foi erguida pela Ordem dos Agostinianos Recoletos — última ordem religiosa a administrar a paróquia antes do retorno dos jesuítas, que permaneceram até cerca de 1910-1914. Já a segunda capela deve ter sido erguida pelo povo com apoio dos frades.”
(FLORENTINO, Ivan Petri, 2018)

Atualmente, a comunidade de Alto Pongal, outrora conhecida como Vila de Pongal, constitui um dos três distritos da cidade de Anchieta-ES e se consolida como patrimônio histórico-cultural de grande relevância para a formação etnológica do município, considerado por muitos uma “relíquia histórica” capixaba. Como lembra Jacques Le Goff (1990), a memória coletiva é um elemento essencial para compreender a identidade das sociedades, pois preserva o sentimento de pertencimento e a herança transmitida entre gerações. Assim, cada comunidade de Anchieta revela, em sua história, a continuidade da memória e da identidade cultural de seu povo.

 

Fonte: Ivan Petri Florentino, historiador e museólogo, atualmente exerce a função de Coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural, conforme Portaria nº 701/2025. É mestrando no Curso de Mestrado Profissional em Ciência, Tecnologia e Educação, do Centro Universitário Vale do Cricaré (UNIVC), na linha de pesquisa Educação e Inovação, com ênfase no estudo do Patrimônio Histórico e Cultural aplicado ao ensino da história do município de Anchieta-ES.

Tags: #anchieta#cultura#ImigraçãoItaliana

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