No interior do Maranhão, um casamento coletivo de indígenas respeitou as tradições e reconheceu os direitos de dezenas de cidadãos brasileiros.
Tem panela no fogo, comida no preparo na casa do Urbano. Uma grande família reunida para celebrar a união dele com a Filomela Krikati, patriarcas de quatro gerações que se espalharam e sempre cabe mais um no retrato. Um casamento que não existia no papel. Por isso, um momento tão aguardado pelos filhos.
“É muito importante para o meu pai e minha mãe, porque são muitos anos vivendo e só agora que nós estamos fazendo o casamento”, diz Maria José Krikati. A noiva Celiana Krikati fez questão de estar vestida de branco. “É uma visão diferente para nós, indígenas, poder se casar de vestido. É uma experiência nova”, conta.
A Aldeia São José abriga o povo Krikati, uma das 24 etnias indígenas do Maranhão.
O primeiro casamento indígena comunitário do Estado beneficiou 54 casais que não podiam arcar com os custos processuais. “Foi uma oportunidade de ter para nós, que a gente não se casou tanto na cultura, quanto no cartório. É uma felicidade para nós”, afirma a indígena Lidionesa Krikati.
Após a sagrada pintura, os noivos se reúnem no terreiro enquanto as noivas aguardam no casarão. Todo o cerimonial do casamento comunitário foi adaptado, respeitando a cultura indígena.
No ritual indígena, a cerimônia começa com a cantoria e a noiva espera o noivo deitada em casa. Eles são aconselhados por um ancião da aldeia. O indígena Urbano já fez inúmeras vezes esse papel. E de conselheiro também passou a noivo. Aos 102 anos, Filomena se vestiu de pluma de gavião para a ocasião especial.
Comitê da Diversidade
O evento realiza um anseio indígena solicitado aos membros do Comitê da Diversidade, em audiência pública que discutiu o acesso dos povos indígenas à Justiça, devido a situações que exigem documentos, como a certidão de casamento.
“De hoje em diante a gente pode, por livre e espontânea vontade, dizer que eu sou casado. Primeira vez que estou assinando o documento, o livrão”, conta Jackson Krikati.
A juíza Adrian Chaves esclarece que “a partir do reconhecimento do casamento, da união deles, também surge direitos, inclusive previdenciários com a morte de algum deles”.
Fonte: g1











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