Os brasileiros comemoraram, nesta quinta-feira (22), a indicação do filme “O Agente Secreto” a quatro categorias do Oscar, o que, segundo muitos, confirma a ascensão do cinema brasileiro e seu apelo universal.
“O Agente Secreto” — indicado a melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor elenco — agora divide o recorde brasileiro de indicações com o famoso filme de 2002 “Cidade de Deus”, ambientado em uma favela do Rio de Janeiro.
“O Agente Secreto” acompanha a história de um pai viúvo — interpretado por Wagner Moura — que se torna alvo da ditadura militar brasileira na década de 1970 simplesmente por se opor a um empresário com ligações com o regime.
O diretor Kleber Mendonça Filho afirmou que mais de um milhão de espectadores assistiram ao filme, em um vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira, após o anúncio das indicações.
No ano passado, o longa-metragem brasileiro “Ainda Estou Aqui” também foi um sucesso de bilheteria , atraindo milhões de espectadores. Foi indicado em três categorias e ganhou o prêmio de melhor filme internacional , dando ao Brasil seu primeiro Oscar.
Os sucessos consecutivos estão levando muitos a dizer que o Brasil está vivendo um momento particularmente frutífero para o seu cinema.
As indicações são “um reconhecimento da nossa cultura e da capacidade do Brasil de contar histórias que emocionam o mundo”, disse ele nas redes sociais.
“Ainda Estou Aqui” também se passa durante a ditadura, e observadores dizem que ambos os filmes contribuíram para o debate nacional sobre o período sombrio da história do Brasil, de 1964 a 1985, quando pessoas foram torturadas e desapareceram.
‘Emoção intensa’
O diretor de elenco Gabriel Domingues, que foi indicado na nova categoria de “realização em elenco”, disse que a demonstração de apoio ao filme reflete um entusiasmo mais amplo pelo cinema brasileiro.
“O cinema brasileiro está vivendo um momento de intensa emoção, que vai além da simples empolgação. As pessoas se emocionam muito com essa participação em eventos internacionais, premiações e tudo mais”, disse Domingues à Associated Press, comparando a situação ao clima que o futebol exerce no Brasil.
Ana Paula Sousa, especialista em cinema e professora da Universidade ESPM de São Paulo, afirmou que o sucesso de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” está mudando a relação dos brasileiros com a indústria cinematográfica em um país onde a frequência aos cinemas é historicamente baixa.
“As pessoas estão falando sobre o cinema brasileiro e achando legal falar sobre isso. (…) Isso é algo que não víamos antes, e é realmente ótimo”, disse ela.
Sousa disse que espera que os sucessos incentivem uma frequência mais regular aos cinemas entre os brasileiros.
Espírito Santo, a idosa frequentadora de cinemas no Rio, disse estar incrivelmente orgulhosa do cinema brasileiro após as indicações ao Oscar.
“Estamos marcando presença, desfilando no tapete vermelho no exterior”, disse ela. “O Brasil está começando a se parecer com um produtor de filmes, de histórias bem contadas”.
Fonte: Associated Press (AP)/ELÉONORE HUGHES











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