O resultado da COP30, a cúpula climática brasileira, ficou incerto, com a União Europeia (UE) se recusando a aceitar uma proposta de acordo que, segundo ela, não contribuiria para os esforços globais de redução das emissões de gases de efeito estufa que impulsionam as mudanças climáticas.
A conferência de duas semanas que está sendo realizada na cidade amazônica de Belém tinha previsão de término na noite desta sexta-feira (21), mas ultrapassou esse prazo, já que as negociações continuaram até altas horas da madrugada.

Jovens indígenas de vários continentes se apresentam durante a COP30. Foto: REUTERS/Anderson Coelho
O Brasil apresentou a cúpula como um momento decisivo para a cooperação climática global, instando as nações a superarem as divergências sobre questões como o futuro dos combustíveis fósseis e a enviarem uma mensagem de que a ação global concertada é o melhor caminho a seguir.
“Esta não pode ser uma agenda que nos divida”, disse o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, aos delegados em uma sessão plenária pública antes de liberá-los para novas negociações.
“Precisamos chegar a um acordo entre nós…”
Algumas economias emergentes reagiram à posição da UE, exigindo que o bloco se comprometa com mais financiamento para ajudar as nações mais pobres a lidar com as mudanças climáticas.
“Não podemos trabalhar apenas com um caminho. Se existe um caminho para os combustíveis fósseis, também deve haver um caminho para o financiamento climático”, disse um negociador de um país em desenvolvimento, que pediu anonimato para discutir as negociações a portas fechadas.
As divergências sobre combustíveis fósseis, a necessidade de reduzir as emissões de CO2 mais rapidamente e o financiamento evidenciaram a dificuldade de se chegar a um consenso na conferência anual, um teste constante da determinação global em evitar os piores impactos do aquecimento global.
Uma minuta de acordo, divulgada pelo Brasil antes do amanhecer de sexta-feira, não continha nenhuma menção a combustíveis fósseis, eliminando uma série de opções sobre o assunto que haviam sido incluídas em uma versão anterior.
Dezenas de países, incluindo as principais nações produtoras de petróleo e gás, se opuseram às opções.
No início da cúpula, cerca de 80 governos exigiram que a COP30 apresentasse um plano para abandonar os combustíveis fósseis. Mas, na noite de sexta-feira, muitos desses países indicaram, em negociações a portas fechadas, que aceitariam o acordo mesmo sem o plano, disseram os negociadores.
A queima de combustíveis fósseis emite gases de efeito estufa, que são de longe os maiores contribuintes para o aquecimento global.
Confronto sobre combustíveis fósseis
A União Europeia, composta por 27 membros, afirmou que o texto era muito fraco.
“Em hipótese alguma vamos aceitar isso”, disse o Comissário Europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, em um comunicado na sexta-feira.
A UE indicou que poderia “ir além da sua zona de conforto” no financiamento de países em desenvolvimento, mas apenas se as secções do texto relativas a medidas para reduzir as emissões que aquecem o planeta fossem reforçadas.
Na noite de sexta-feira, alguns negociadores europeus disseram que o bloco estava considerando a opção de abandonar as negociações, em vez de aceitar o acordo atual.
Um negociador brasileiro disse à Reuters que era improvável que a linguagem sobre combustíveis fósseis fosse reintroduzida e que a presidência da cúpula estava pressionando apenas por pequenos ajustes na versão atual do documento.
Outras opções em discussão pelos negociadores incluíam um acordo paralelo sobre combustíveis fósseis, ao qual os países poderiam aderir voluntariamente, mas que não seria aprovado por consenso como os acordos da COP exigem, disseram os negociadores.
Três fontes afirmaram que o bloco de negociação do Grupo Árabe, cujos 22 membros incluem a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, disse em uma reunião fechada de negociadores que suas indústrias de energia estavam fora do escopo das discussões.
A Arábia Saudita entregou uma declaração do Grupo Árabe aos negociadores, alertando que atacar seus setores industriais levaria ao colapso das negociações, disseram as fontes.
A Arábia Saudita não respondeu ao pedido de comentário dirigido ao gabinete de comunicação do governo saudita.











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