Um hospital em Barcelona informou, nesta segunda-feira (2), ter realizado um transplante facial pioneiro, no qual a doadora, em um feito inédito no mundo, ofereceu seu rosto para doação antes de se submeter a um procedimento de morte assistida.
A complexa cirurgia envolveu o transplante de tecido composto da parte central do rosto e exigiu a participação de cerca de 100 profissionais, incluindo psiquiatras e imunologistas, informou o prestigiado hospital Vall d’Hebron em um comunicado.
A coordenadora de transplantes do hospital, Elisabeth Navas, disse que o doador demonstrou “um nível de maturidade que deixa qualquer um sem palavras”.
“Alguém que decidiu pôr fim à própria vida dedica um de seus últimos desejos a um desconhecido e lhe dá uma segunda chance dessa magnitude”, disse Navas.
A beneficiária – identificada apenas pelo primeiro nome, Carme – sofreu necrose do tecido facial devido a uma infecção bacteriana causada pela picada de um inseto, o que afetou sua capacidade de falar, comer e enxergar.
“Quando me olho no espelho em casa, penso que estou começando a me parecer mais comigo mesma”, disse Carme em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, acrescentando que sua recuperação estava indo muito bem.
Em casos que exigem transplante facial, doador e receptor devem ser do mesmo sexo, tipo sanguíneo e ter tamanho de cabeça semelhante.
Líder global em transplante de órgãos
Com uma população de 49,4 milhões de habitantes, a Espanha é líder mundial em transplantes de órgãos há mais de três décadas. Em 2021, tornou-se o quarto país da União Europeia a legalizar a eutanásia.
Metade dos seis transplantes faciais já realizados na Espanha foram feitos pela equipe do Vall d’Hebron. O hospital catalão também realizou o primeiro transplante facial completo do mundo, em 2010.
Um porta-voz do hospital recusou-se a divulgar a data exata do procedimento por motivos de privacidade, mas disse à Reuters que ele ocorreu durante o outono de 2025.
Segundo dados do Ministério da Saúde, foram realizados cerca de 6.300 transplantes de órgãos no ano passado na Espanha, sendo os transplantes renais os mais comuns.
Em 2024, 426 pessoas receberam assistência para morrer, segundo dados do governo.
Fonte: Reuters/Paolo Laudani











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