A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) anunciou, nesta sexta-feira (16), que garantiu um acordo de “cessar-fogo localizado” entre Rússia e Ucrânia para reparos em uma linha de energia da usina nuclear de Zaporizhzhia, que fica em território ucraniano.
“A AIEA garantiu hoje o acordo entre a Federação Russa e a Ucrânia para implementar um cessar-fogo localizado, permitindo o início dos reparos na última linha de energia de reserva restante da Usina Nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia”, diz o comunicado.

Usina nuclear de Zaporizhzhia, Ucrânia. Foto: Dmytro Smolyenko/Future Publishing via Getty Images
Os reparos devem começar nos próximos dias e serão feitos por técnicos da operadora da rede elétrica ucraniana. Não foi informada previsão de término para a operação.
Segundo a agência, essa linha de energia foi danificada e desconectada no dia 2 de janeiro, em meio aos combates na região. Com isso, a usina de Zaporizhzhia, a maior da Europa, passou a depender de uma única linha principal, que está em funcionamento.
Os trabalhos de reparo serão observados por uma equipe da AIEA, que já saiu de Viena, onde fica a sede da organização.
Zaporizhzhia é uma das regiões da linha de frente com combates mais intensos, e uma das áreas que a Rússia exige para dar fim à guerra.
Ainda em 2022, ano do início do conflito, o presidente Vladimir Putin assinou um decreto para anexar diversas regiões da Ucrânia, incluindo Zaporizhzhia.
E mesmo após cerca de quatro anos de guerra, o governo russo parece não ter desistido dos objetivos de conquista de territórios.
Em dezembro de 2025, Putin exigiu a retirada de tropas ucranianas, e o presidente Volodymyr Zelensky reconheceu que o destino da usina nuclear é um dos entraves para um acordo de paz.
Agência alerta sobre combates próximos a instalações nucleares
Rafael Grossi, diretor-geral da agência, alertou que a deterioração da rede elétrica da Ucrânia em meio à guerra tem implicações diretas na segurança das instalações nucleares.
Equipes da Agência Internacional de Energia Atômica relataram atividades militares ou alarmes de ataque aéreo em todas as cinco instalações nucleares do país na última semana.
“Na usina nuclear de Zaporizhzhia, a equipe continua a ouvir um grande número de explosões, incluindo algumas nas proximidades da instalação”, pontuaram.
“A equipe na usina nuclear do sul da Ucrânia relatou múltiplos alarmes de ataque aéreo diariamente na última semana e foi informada de que um objeto voador militar foi observado a aproximadamente 10 km da instalação”, adicionaram.
Ainda no comunicado desta sexta, Grossi destacou que a AIEA continua trabalhando em “estreita colaboração” com Rússia e Ucrânia para garantir a segurança na usina de Zaporizhzhia e evitar um acidente nuclear durante o conflito.
“Este cessar-fogo temporário, o quarto que negociamos, demonstra o papel indispensável que continuamos a desempenhar”, disse.
Segurança na usina nuclear de Zaporizhzhia
Mesmo com o risco gerado pelos combates próximos às usinas nucleares, a AIEA destacou que Zaporizhzhia mantém medidas de segurança operacionais, incluindo contra condições climáticas adversas.
“Medidas de proteção contra o inverno estão em vigor para evitar o congelamento da água nos poços subterrâneos, que fornecem água de resfriamento para os sistemas de segurança que resfriam os reatores e as piscinas de combustível irradiado”, ressaltou a agência.
A organização conta com uma equipe dentro da usina nuclear, que realiza inspeções no local.
“Outras medidas contra as temperaturas congelantes incluem o controle da temperatura do sistema de aquecimento local para garantir que os geradores a diesel de emergência estejam prontos para entrar em operação e funcionar corretamente em caso de outra queda de energia externa”, pontua.
Fonte: CNN News/Tiago Tortella











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