Bombeiros combateram um dos incêndios mais mortais da história recente de Hong Kong pelo segundo dia consecutivo, nesta quinta-feira (27), lutando para controlar as chamas que destruíram vários arranha-céus e mataram pelo menos 44 pessoas. Três homens de uma construtora foram presos e os resgates continuavam.
Na manhã de quinta-feira, uma densa fumaça ainda saía do complexo Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, um subúrbio ao norte próximo à fronteira com o continente. O incêndio, que começou no meio da tarde de quarta-feira, se alastrou por sete dos oito edifícios do complexo, e quatro das torres estavam sob controle pela manhã, segundo o Corpo de Bombeiros da cidade.
Bombeiros trabalham para extinguir um incêndio que começou na quarta-feira em Wang Fuk Court, um conjunto residencial no distrito de Tai Po, nos Novos Territórios de Hong Kong. Foto: AP/Chan Long Hei
Um bombeiro estava entre as 44 pessoas que tiveram a morte confirmada, disseram as autoridades. Pelo menos 62 pessoas ficaram feridas, muitas com queimaduras e lesões por inalação de gases tóxicos.
Três homens, os diretores e um consultor de engenharia de uma construtora, foram presos sob suspeita de homicídio culposo.
“Temos motivos para acreditar que os responsáveis pela construtora foram extremamente negligentes”, disse Eileen Chung, superintendente sênior da polícia.
As autoridades suspeitaram que alguns materiais nas paredes externas dos edifícios altos não atendiam aos padrões de resistência ao fogo, permitindo a propagação excepcionalmente rápida do incêndio.
Foto: AP/Chan Long Hei
A polícia também informou ter encontrado isopor — altamente inflamável — fixado nas janelas de cada andar próximo ao hall do elevador da única torre que não foi afetada. Acredita-se que a instalação tenha sido feita pela construtora, mas o propósito não está claro. O secretário de Segurança, Chris Tang, afirmou que os materiais serão investigados mais a fundo.
O incêndio começou no andaime externo de uma torre de 32 andares, alastrou-se depois pelos andaimes de bambu e pelas redes de proteção da construção, atingindo o interior do edifício e, em seguida, os outros edifícios, provavelmente favorecido pelas condições de vento.
Os bombeiros lançaram jatos de água contra as intensas chamas do alto de caminhões com escadas, mas as condições para combater o incêndio e resgatar pessoas continuaram desafiadoras.
Foto: AP/Chan Long Hei
“Os destroços e os andaimes dos prédios afetados estão desabando”, disse Derek Armstrong Chan, diretor adjunto de operações do Corpo de Bombeiros. “A temperatura dentro dos prédios em questão está muito alta. É difícil para nós entrarmos nos prédios e subirmos para realizar operações de combate a incêndio e resgate.”
O complexo habitacional era composto por oito edifícios com quase 2.000 apartamentos para cerca de 4.800 moradores, incluindo muitos idosos. Foi construído na década de 1980 e estava passando por uma grande reforma.
Cerca de 900 pessoas foram evacuadas para abrigos temporários durante a noite, e o líder de Hong Kong, John Lee, afirmou que 279 pessoas estavam desaparecidas até a meia-noite. Os resgates continuavam, mas um número atualizado não estava disponível até o meio da manhã de quinta-feira.
Lee, o chefe do Executivo, disse que o governo dará prioridade ao desastre e suspenderá a promoção das eleições para o Conselho Legislativo, o órgão legislativo da cidade, marcadas para 7 de dezembro. Ele não disse se as eleições poderiam ser adiadas, mas afirmou que as decisões seriam tomadas “alguns dias depois”.
O líder chinês Xi Jinping expressou condolências ao bombeiro falecido e manifestou solidariedade às famílias das vítimas, segundo a emissora estatal CCTV. Ele também pediu esforços para minimizar o número de vítimas e as perdas.
O incêndio foi o mais mortal em Hong Kong em décadas. Em novembro de 1996, 41 pessoas morreram em um prédio comercial em Kowloon em um incêndio que durou cerca de 20 horas.
Fonte: Associated Press (AP)/Chan Ho-Him e Huizhong Wu











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