O Papa Leão XIV reuniu-se, na sexta-feira (12), com membros dos serviços de inteligência italianos e advertiu-os para que não utilizem informações confidenciais para chantagem ou outros fins nefastos.
Leo exortou os 007, como os agentes italianos são popularmente conhecidos, a realizarem seu trabalho de forma profissional e ética, sempre respeitando a dignidade humana daqueles envolvidos em suas investigações.
A audiência foi incomum, acredita-se que tenha sido a primeira entre um papa e os serviços de inteligência italianos, que celebram seu centenário este ano. Os agentes secretos da Itália trabalham em estreita colaboração com as forças de segurança do Vaticano, especialmente durante este Ano Santo, quando cerca de 30 milhões de peregrinos acorrem a Roma para visitar o Vaticano.
Leo agradeceu aos agentes pelo seu trabalho e reconheceu a dificuldade e a delicadeza das suas responsabilidades. Mas também os lembrou dos limites da sua autoridade e da necessidade de manterem uma bússola moral, alertando-os para não cederem às tentações.
Ele afirmou que devem permanecer “vigilantes para garantir que informações confidenciais não sejam usadas para intimidar, manipular, chantagear ou desacreditar políticos, jornalistas ou outros atores da sociedade civil”.
Ele não deu mais detalhes. Mas, há um ano, o Vaticano abriu uma investigação criminal sobre o suposto vazamento de informações referente ao seu inquérito, considerado o “julgamento do século”, sobre um investimento imobiliário em Londres. O vazamento veio à tona durante uma investigação italiana separada sobre as ações de um oficial da polícia financeira italiana, acusado de acessar indevidamente um banco de dados da polícia nacional e fornecer informações sobre políticos, empresários e outras figuras a jornalistas.
Leo exortou os agentes de inteligência a garantirem que suas ações fossem sempre “proporcionais ao bem comum” e que a busca pela segurança nacional sempre “garanta os direitos das pessoas, sua vida privada e familiar, a liberdade de consciência e de informação, e o direito a um julgamento justo”.
Leo disse que a Igreja Católica sabe bem como informações em mãos erradas podem ser usadas contra ela.
Ele não deu detalhes, mas padres católicos na Nicarágua , por exemplo, foram presos como parte da repressão do governo Ortega contra a Igreja Católica. O governo acusou a Igreja de ter auxiliado em protestos populares contra sua administração. Clérigos e leigos afirmam que o governo está tentando silenciar a Igreja por causa de sua oposição à violência estatal.
Fonte: Associated Press (AP)











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