Equipes de resgate retiraram mais três tripulantes e um segurança vivos do Mar Vermelho nesta quinta-feira (10), disseram fontes de segurança marítima, um dia após militantes houthis afundarem o navio grego Eternity C e dizerem que estavam mantendo alguns dos tripulantes ainda desaparecidos.
Foi o segundo graneleiro grego afundado esta semana pela milícia Houthi, alinhada ao Irã, quebrando meses de relativa calma na costa do Iêmen, porta de entrada para o Mar Vermelho e uma rota essencial de petróleo e commodities para o mundo.
Muitas companhias de navegação suspenderam viagens devido ao medo de ataques. Acredita-se que os houthis estejam mantendo reféns seis dos 22 tripulantes e três guardas do Eternity C, disseram fontes de segurança marítima.
O Eternity C foi atingido pela primeira vez na segunda-feira por drones marítimos e granadas lançadas por foguetes de lanchas rápidas.
Na quinta-feira, a operadora grega do navio, Cosmoship Management, confirmou que até o momento dez pessoas foram resgatadas — oito tripulantes filipinos, um indiano e um guarda de segurança grego. Dez pessoas continuam desaparecidas, incluindo um guarda, informou a empresa.
Acredita-se que uma pessoa esteja morta e outras quatro não foram vistas desde o ataque ao navio, acrescentou a empresa.
Se confirmado, as vítimas seriam as primeiras fatalidades na área desde junho de 2024.
A tripulação foi forçada a pular na água após um segundo ataque à embarcação na manhã de terça-feira. Equipes de resgate buscam sobreviventes desde a manhã de quarta-feira. As quatro pessoas resgatadas na manhã de quinta-feira passaram quase 48 horas na água.
Na quarta-feira, o porta-voz militar dos Houthis disse em um discurso televisionado que a Marinha do Iêmen havia “respondido para resgatar alguns tripulantes do navio, fornecer-lhes cuidados médicos e transportá-los para um local seguro”.
A Missão dos Estados Unidos no Iêmen acusou os Houthis de sequestrar membros da tripulação e pediu sua libertação imediata, incondicional e segura.
“Entendemos que os Houthis capturaram algumas pessoas e estamos trabalhando por meio de vários canais como prioridade para verificar essas informações”, disse a Cosmoship Management.
As equipes de resgate continuam as buscas, disse a Cosmoship, que pediu ajuda a embarcações que passam pela área.
Passagem de carga
O Eternity C havia entregue uma carga para o Programa Mundial de Alimentos da ONU para Berbera, Somália, e estava navegando em condições de lastro para Jidá, Arábia Saudita, para abastecer no momento do primeiro ataque na segunda-feira, disse a operadora.
O navio afundou na quarta-feira, dias depois de os Houthis atingirem e afundarem o Magic Seas, retomando uma campanha lançada em novembro de 2023 que já viu mais de 100 navios atacados no que o grupo disse ser solidariedade aos palestinos na guerra de Gaza .
Os dois navios atingidos esta semana tinham bandeira liberiana e eram operados por empresas gregas. Toda a tripulação do Magic Seas foi resgatada antes do naufrágio.
Uma análise de dados de transporte mostrou que alguns de seus navios irmãos nas respectivas frotas fizeram escalas em portos israelenses no ano passado.
“Essas são vítimas inocentes que estavam apenas fazendo seu trabalho”, disse a associação Seafarers’ Charity, sediada no Reino Unido.
“Os marítimos deveriam poder trabalhar em segurança no mar. Em vez disso, estão sendo injustamente forçados a entrar na linha de fogo”.
Abdul Malik al-Houthi, líder dos combatentes Houthi do Iêmen, reiterou em um discurso televisionado na quinta-feira a proibição do grupo a empresas que transportam mercadorias relacionadas a Israel pelo Mar Vermelho, Golfo de Áden e Mar Arábico.
Ele disse que os ataques desta semana fazem parte dessa proibição, que está em vigor desde 2023.
“Nunca foi interrompido ou cancelado, e é uma decisão válida”, disse ele. “O que foi descoberto (esta semana) foi a violação da decisão por algumas empresas.”
O custo do seguro para transporte de mercadorias pelo Mar Vermelho mais que dobrou desde os ataques desta semana, com algumas seguradoras suspendendo a cobertura para algumas viagens, disseram fontes do setor na quinta-feira.
O número de viagens diárias pelo estreito de Bab al-Mandab, no extremo sul do Mar Vermelho e uma porta de entrada para o Golfo de Áden, foi de 32 embarcações em 9 de julho, abaixo dos 43 em 1º de julho, mostraram dados da Lloyd’s List Intelligence.
Vários navios transmitiram na quinta-feira mensagens mencionando a presença de tripulantes e gerentes chineses ou guardas armados a bordo, de acordo com dados da MarineTraffic. Uma embarcação anunciou que não tinha nenhuma relação com Israel.
Fonte: Reuters/Renee Maltezou e Jonathan Saul











Comente este post