A França afirma estar tomando “medidas apropriadas” depois que o uso inadvertido do aplicativo de exercícios Strava por um oficial da Marinha permitiu que jornalistas localizassem o porta-aviões Charles de Gaulle, que está no Mediterrâneo para ajudar a proteger os ativos e interesses franceses e aliados durante a guerra com o Irã.
O destacamento do porta-aviões este mês não era segredo e seu comandante chegou a dar uma entrevista coletiva por videoconferência a bordo da embarcação de 42.000 toneladas movida a energia nuclear.
Ainda assim, o jornal francês Le Monde causou alvoroço ao usar o Strava para localizar um oficial da Marinha que, segundo o jornal, usou o aplicativo de desempenho durante uma corrida matinal em 13 de março, permitindo que os repórteres encontrassem o porta-aviões Charles de Gaulle no Mediterrâneo usando uma imagem de satélite tirada naquele mesmo dia.
O jornal afirmou, na quinta-feira (19), que acredita que o oficial estava correndo a bordo do porta-aviões ou em um de seus navios de escolta.
O porta-voz militar francês, Coronel Guillaume Vernet, afirmou que o uso do Strava relatado pelo Le Monde “não está em conformidade com as diretrizes atuais. As medidas cabíveis estão sendo tomadas pelo comando”.
“No exercício de suas funções, os marinheiros são regularmente alertados sobre os riscos de segurança associados a dispositivos conectados, principalmente o uso de mídias sociais em suas vidas privadas e o potencial de geolocalização por meio de aplicativos digitais”, disse Vernet à Associated Press na sexta-feira.
“Para evitar qualquer divulgação de informações relativas a uma embarcação, diferentes níveis de restrições ao uso de dispositivos conectados são aplicados na Marinha Francesa. Esses níveis de restrição são determinados pelo comando, dependendo do nível de ameaça”, afirmou.
O contra-almirante francês Thibault Haudos de Possesse, comandante do grupo de porta-aviões, havia dado uma entrevista coletiva por videoconferência a partir do porta-aviões Charles de Gaulle no mesmo dia em que o oficial naval fazia sua corrida matinal.
O comandante afirmou que vários navios de guerra, incluindo fragatas francesas e de nações aliadas, escoltavam o porta-aviões, que transportava 20 caças Rafale, dois aviões de vigilância Hawkeye e três helicópteros.
O jornal Le Monde afirmou que divulgar a localização do grupo de ataque do porta-aviões quase em tempo real em uma plataforma digital pública é perigoso, considerando o contexto da guerra com o Irã. Um ataque com drones em 12 de março teve como alvo uma base militar curda na região de Erbil, matando o suboficial francês Arnaud Frion e ferindo outros seis soldados.
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta semana o nome do próximo porta-aviões nuclear da França , que será maior que o Charles de Gaulle. O France Libre (“França Livre”), com um custo de 10 bilhões de euros (US$ 11,5 bilhões), deverá entrar em serviço em 2038 e terá capacidade para 30 caças Rafale e 2.000 marinheiros.
O novo navio terá um deslocamento de cerca de 80.000 toneladas e um comprimento de 310 metros, em comparação com as 42.000 toneladas e os 261 metros do Charles de Gaulle.
Fonte: Associated Press (AP)/John Leicester











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