A Grande Mancha de Lixo no Pacífico, também conhecida como ‘Ilha de Lixo’, desenvolveu seu próprio ecossistema e permite que espécies costeiras ‘colonizem’ águas abertas, apontou um estudo publicado pela revista ‘Nature’, na segunda-feira (17).
Caranguejos e anêmonas, animais que facilmente são encontrados nas areais das praias, também estão habitando o mar aberto, coisa que antes não era possível, mas que com a mancha de 1,6 milhões de quilômetros quadrados e 79 mil toneladas, conseguiram criar novos ecossistemas e alto mar.
Os pesquisadores americanos extraíram amostras de lixo no nordeste do Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí, e encontraram 37 tipos de invertebrados originários principalmente de países como Japão, do outro lado do oceano.
Ao todo, foram examinados 105 itens de plástico pescados na região, entre novembro de 2018 e janeiro de 2019, e descobertos mais de 484 organismos invertebrados marinhos, representando 46 espécies diferentes, sendo que 80% desses eram normalmente encontradas em habitats costeiros.
Mais de dois terços dos objetos examinados continham espécies costeiras, especialmente crustáceos, anêmonas-do-mar e briozoários (pequenos invertebrados). Estas criaturas podem se propagar rapidamente, alimentando-se de camadas de muco formadas pelas bactérias e as algas sobre plásticos flutuantes, mostra o estudo.

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico, que também é apontada por alguns como o ‘continente de plástico’ foi descoberta em 1997. Ela é formada por um imenso acúmulo de rejeitos (sacos, garrafas, embalagens, redes de pesca abandonadas e micropartículas degradadas), que se aglutinam em várias áreas, sob o efeito de gigantescos redemoinhos formados pelas correntes marinhas.
Seu tamanho total é estimado em 1,6 milhão de quilômetros quadrados, ou seja, um território maior que o Peru e o Equador somados.
O local desperta o interesse dos cientistas há anos e alguns já mostraram que pode ser nociva para certas espécies, como peixes, tartarugas e, inclusive, alguns mamíferos marinhos que ficam presos ali e às vezes se asfixiam.
“Os nossos resultados demonstram que o ambiente oceânico e o habitat plástico flutuante são claramente hospitaleiros para as espécies costeiras. […] Podem sobreviver, reproduzir e ter populações complexas e estruturas comunitárias em mar aberto”, diz o estudo.
Fonte: AFP











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