Observar o céu noturno está deixando de ser apenas um passatempo romântico ou científico para se tornar uma poderosa ferramenta de bem-estar. A prática conhecida como “banho de estrelas” vem ganhando força como uma tendência internacional de turismo de experiência, oferecendo aos viajantes momentos de contemplação profunda, conexão com a natureza e benefícios significativos para a saúde mental.
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No norte da Inglaterra, o Santuário de Broughton — um histórico refúgio do século 16 situado às margens do Parque Nacional Yorkshire Dales — tornou-se referência nesse tipo de vivência. Reconhecido como Reserva Internacional do Céu Escuro, o local alia o silêncio das charnecas ao céu cristalino da região para oferecer experiências transformadoras. Em sessões guiadas, os visitantes se acomodam ao ar livre, envolvidos por cobertores e sons da natureza, enquanto praticam meditação e observação consciente do firmamento. A proposta é clara: desacelerar, respirar e simplesmente ser.
Essa imersão noturna vai além da identificação de constelações. Estudos indicam que olhar para as estrelas pode reduzir os batimentos cardíacos, aumentar a produção de oxitocina — o hormônio do bem-estar — e aliviar sintomas de ansiedade. Segundo o astrofísico e professor de ioga Mark Westmoquette, que lidera retiros similares no Reino Unido e Europa, a prática regular da contemplação cósmica “traz profundos benefícios à saúde mental por nos reconectar a algo maior do que nós mesmos”.
Fora da Europa, o fenômeno ganha destaque em destinos exóticos. Na África do Sul, o centro de retiro Bliss & Stars, localizado na remota reserva natural de Cederberg, oferece experiências de três noites que combinam meditação, caminhadas noturnas e sessões guiadas sob um céu limpo e estrelado. Muitos visitantes relatam vivências emocionantes — desde alívio de traumas até momentos de profunda comunhão espiritual. Um dos relatos mais marcantes veio de uma mãe enlutada, que encontrou consolo ao sentir que o Universo “estava em luto junto com ela”.
No Chile, o deserto do Atacama, considerado o céu mais limpo do mundo, abriga o Hotel Elqui Domos. Seus quartos geodésicos possuem tetos retráteis, permitindo que os hóspedes observem as estrelas diretamente da cama. Já na Islândia, o Hotel Ranga combina águas termais ao ar livre com sessões de observação guiada, transformando o frio ártico em aliado de uma experiência contemplativa única.
Na Escócia, a empresa Cairngorm Excursions promove festas de banho de estrelas nas Highlands, com comidas típicas, bebidas quentes e degustações de gim, uísque e rum local. A proposta une cultura e astronomia num ambiente social e acolhedor.
Na Austrália, experiências promovidas por guias aborígenes no Parque Nacional Millstream Chichester permitem que visitantes conheçam a antiga cosmologia dos povos originários — os primeiros astrônomos da humanidade — numa noite de acampamento sob as estrelas.
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Das charnecas de Yorkshire, na Inglaterra, até as regiões selvagens da África do Sul, o banho de estrelas vem se destacando como uma tendência transformadora. Foto: Getty Images via BBC
Combinando ciência, espiritualidade e turismo, o banho de estrelas surge como um novo tipo de experiência de viagem: introspectiva, transformadora e profundamente ligada à natureza. Uma tendência que não apenas convida o viajante a olhar para o céu, mas também para dentro de si.
Fonte: BBC












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