O furacão Melissa atingiu a Jamaica em 28 de outubro como uma tempestade catastrófica de categoria 5, a mais forte a já ter tocado o solo na ilha. A rápida intensificação da tempestade sobre as águas caribenhas excepcionalmente quentes destaca uma tendência sobre a qual os cientistas vêm alertando há tempos: as mudanças climáticas alimentam eventos climáticos mais poderosos e destrutivos.
A devastação na Jamaica e nas ilhas vizinhas deverá renovar os apelos dos países em desenvolvimento por ajuda financeira dos países mais ricos para lidar com os impactos crescentes do aquecimento global.

Trânsito congestionado em uma estrada, na Jamaica, após o Furacão Melissa. Foto: REUTERS
A velocidade dos ventos estava bem acima do nível mínimo para a classificação de furacão mais forte. Os meteorologistas da AccuWeather disseram que ele empatou em segundo lugar como o furacão mais forte já registrado no Atlântico em termos de velocidade do vento ao atingir a costa.
Velocidade dos ventos está entre as mais altas do Caribe
Melissa é o furacão mais poderoso a atingir a Jamaica desde Gilbert, em 1988.
A Jamaica, habituada a furacões, nunca havia sido atingida diretamente por uma tempestade de categoria 4 ou 5 (Gilbert atingiu a costa como um furacão de categoria 3), e o governo solicitou ajuda externa mesmo enquanto se preparava para a chegada de Melissa.
“É uma situação catastrófica”, disse Anne-Claire Fontan, especialista em ciclones tropicais da Organização Meteorológica Mundial, em uma coletiva de imprensa antes da chegada da tempestade à costa. “Para a Jamaica, com certeza será a tempestade do século.”
O tamanho e a força de Melissa aumentaram exponencialmente à medida que se deslocava sobre as águas caribenhas excepcionalmente quentes, e os meteorologistas alertaram que seu movimento lento poderia ser particularmente destrutivo.
Jamaica e Haiti atingidos por fortes chuvas torrenciais
A trajetória da tempestade, que atravessou várias ilhas, e seu movimento lento fizeram com que a chuva persistisse sobre as regiões por longos períodos.

Fonte: Sistema Global de Alerta e Coordenação de Desastres (GDACS)
As autoridades do Haiti, que não foi atingido diretamente, mas sofreu dias de chuvas torrenciais devido à tempestade de movimento lento, relataram pelo menos 25 mortes, a maioria na cidade de Petit-Goave, no sul do país, quando um rio transbordou.
As margens de um rio também cederam e arrastaram parte de uma rodovia nacional, informou o jornal local Le Nouvelliste. A estrada, que já havia sido danificada pelo furacão Beryl no ano anterior, dava acesso à cidade vizinha de Jacmel.
Melissa também atingiu o leste de Cuba, onde cerca de 735 mil pessoas foram evacuadas, mas até quinta-feira não havia relatos de mortes, apesar dos extensos danos a casas e plantações.
Meteorologistas da AccuWeather disseram que Melissa foi o terceiro furacão mais intenso já observado no Caribe, depois de Wilma, em 2005, e Gilbert, em 1988 – a última grande tempestade a atingir a Jamaica.
Furacões mais fortes e mais rápidos
Cientistas alertam que as tempestades estão se intensificando mais rapidamente e com maior frequência devido ao aquecimento das águas oceânicas. A intensificação rápida ocorre quando os furacões aumentam a velocidade do vento para mais de 56 km/h em menos de 24 horas, dificultando a previsão do perigo que podem representar.
Muitos líderes caribenhos têm apelado às nações ricas e altamente poluentes para que forneçam reparações sob a forma de ajuda ou alívio da dívida aos países insulares tropicais.
Fonte: Reuters/Arathy J Aluckal, Jitesh Chowdhury, Prasanta Kumar Dutta e Travis Hartman











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