O governo Trump designou, na terça-feira (16), mais um cartel de drogas latino-americano como organização terrorista estrangeira, aumentando a pressão financeira sobre seus membros e abrindo caminho para uma possível ação militar contra eles.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que o Clan del Golfo, com base na Colômbia , foi classificado como um grupo terrorista estrangeiro e global, descrevendo-o como uma “organização criminosa violenta e poderosa” que usa o tráfico de cocaína para financiar atividades violentas.
“O Clan del Golfo é responsável por ataques terroristas contra funcionários públicos, policiais, militares e civis na Colômbia”, diz o comunicado.
A designação surge depois de a administração Trump ter adicionado, em setembro, a Colômbia a uma lista de nações que não cooperam na guerra contra as drogas, pela primeira vez em quase 30 anos. Foi uma dura reprimenda a um aliado tradicional dos EUA, que reflete um recente aumento na produção de cocaína e o desgaste das relações entre a Casa Branca e o presidente de esquerda do país, Gustavo Petro.
Os Estados Unidos também sancionaram Petro em outubro, sob a acusação de que ele teria permitido que cartéis de drogas na nação sul-americana “prosperassem” e exportassem cocaína para os EUA — acusações que ele negou veementemente, argumentando que a Colômbia está interceptando níveis recordes de carregamentos de cocaína sem matar os suspeitos de tráfico.
Clã do Golfo
Com cerca de 9.000 combatentes, o Clã do Golfo é um dos grupos armados mais poderosos da Colômbia. Também conhecido pela sigla em espanhol AGC, o grupo evoluiu a partir de esquadrões paramilitares de direita que lutaram contra guerrilheiros marxistas na Colômbia nas décadas de 1990 e 2000.
Um relatório publicado no ano passado pelo Escritório do Defensor dos Direitos Humanos, uma agência pública, afirmou que a AGC está presente em cerca de um terço dos 1.103 municípios da Colômbia, onde extorque empresas locais e também foi acusada de recrutar crianças.
O Clã do Golfo está envolvido em negociações de paz com o governo da Colômbia desde setembro, que podem levar ao desarmamento de seus combatentes em troca da redução das penas de seus líderes.
No início deste mês, o governo colombiano e o AGC assinaram um acordo no Catar, segundo o qual os combatentes do grupo poderão, a partir de março do próximo ano, se reunir em zonas especialmente designadas no norte e oeste da Colômbia, onde estarão livres de processos judiciais, enquanto as negociações de paz prosseguem. O acordo também prevê que o governo colombiano suspenderá qualquer extradição de líderes do AGC para os EUA durante as negociações.
Elizabeth Dickinson, analista da Colômbia no International Crisis Group, disse que a designação de terça-feira pode ser uma mensagem para o governo colombiano adotar uma postura mais dura contra o grupo.
“As tensões entre a Colômbia e Washington estão em níveis históricos”, disse Dickinson.
Ela acrescentou que, embora as designações de organizações terroristas geralmente visem impedir que terceiros façam negócios com os grupos visados, a designação contra a AGC pode ser mais “simbólica” — e “fará com que as autoridades colombianas reflitam… daqui para frente”.
A Colômbia também realizou recentemente negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional, organização também designada como grupo terrorista pelos EUA, e no passado firmou um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quando estas ainda eram consideradas grupo terrorista.
A designação não confere ao governo dos EUA a autoridade imediata para realizar ataques militares, embora fortaleça o arcabouço legal para a execução de ataques contra grupos específicos.
No início deste ano, o governo Trump designou os grupos criminosos venezuelanos Tren de Aragua e Cartel de los Soles como organizações terroristas estrangeiras, antes de lançar ataques contra supostos barcos de contrabando de drogas na costa da Venezuela, cuja legalidade tem sido questionada por legisladores americanos.
O governo Trump também acusou o presidente venezuelano Nicolás Maduro de enviar carregamentos de drogas para os EUA.
E na semana passada, Trump disse que Petro tem sido “bastante hostil” aos EUA e que ele “terá grandes problemas se não se conscientizar”.
Fonte: Associated Press/Manuel Rueda











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