Manifestantes indígenas defenderam, nesta quarta-feira (12), a invasão dos portões da COP30, a cúpula climática brasileira, e o confronto com as forças de segurança no dia anterior, afirmando que a ação visava demonstrar a urgência de sua luta pela proteção das florestas.
Com negociadores de países de todo o mundo reunidos no complexo para discutir o futuro do planeta em transformação devido ao aumento das temperaturas, os manifestantes disseram, em uma coletiva de imprensa, que seu principal objetivo era fazer com que suas vozes fossem ouvidas.
“Foi uma tentativa de chamar a atenção do governo e da ONU, que atuam nessa área”, disse Auricelia, membro da comunidade Arapiun no estado do Pará, na Amazônia brasileira, onde fica Belém, cidade que sediará a cúpula.
Líderes indígenas afirmaram estar horrorizados com a indústria e o desenvolvimento em curso na Amazônia.
Dentro do complexo da COP, instalado em um antigo aeroporto, as negociações continuaram pelo terceiro dia consecutivo na quarta-feira, abordando uma série de questões.
Entre elas está o financiamento climático — para financiar a transição para energias limpas e os preparativos para o agravamento dos impactos climáticos nos países em desenvolvimento. A questão tornou-se cada vez mais tensa nas negociações da COP, com a falta de recursos suficientes para atender à demanda, em meio ao aumento dos danos e custos decorrentes de eventos climáticos extremos.
Um relatório encomendado pela COP e elaborado por acadêmicos independentes, divulgado na quarta-feira, afirmou que atingir a meta estabelecida na COP29 do ano passado, de aumentar o financiamento anual para ações climáticas para US$ 1,3 trilhão até 2035, ainda era “totalmente viável” com a combinação certa de políticas nacionais, padrões regulatórios e reformas dos bancos de desenvolvimento.
“O fracasso em atingir esses objetivos colocaria o mundo em uma situação perigosa”, dizia o relatório.
Al Gore aciona o alarme novamente
O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, fez sua apresentação anual sobre o clima na cúpula – que os Estados Unidos ignoraram este ano, apesar de serem o maior poluidor histórico do mundo desde a Revolução Industrial.
Enumerando uma longa lista de desastres recentes agravados pelas mudanças climáticas, Gore perguntou na cúpula: “Por quanto tempo vamos ficar de braços cruzados e continuar aumentando a temperatura para que esses tipos de eventos piorem ainda mais?”
Gore foi um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz de 2007 por sua defesa do meio ambiente.
Muitos delegados dos 195 governos que participam das negociações manifestaram preocupação com a crescente fragmentação do consenso mundial em torno da ação climática, criticando em particular a mudança de posição dos EUA sobre o assunto.
Diversos países, incluindo Brasil, Canadá, França e Alemanha, aderiram a uma iniciativa que visa combater os interesses particulares que disseminam desinformação climática, inclusive por meio da promoção de avaliações climáticas baseadas em evidências.
Muitos países desejavam emular a forma como as avaliações climáticas federais dos EUA eram produzidas e revisadas por pares, antes de os Estados Unidos demitirem toda a sua equipe de avaliadores e desativarem o site da agência em abril.
Policial detido no ‘coração da floresta’
Na manhã da quarta-feira (12), dois navios da Marinha brasileira escoltaram uma flotilha de protesto que transportava líderes indígenas e ativistas ambientais pela Baía de Guajará, em Belém.











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