A Colômbia anunciou, nesta quinta-feira (22), que aplicará uma taxa de 30% sobre um grupo de produtos do Equador e suspenderá a venda de energia para aquele país, em resposta a uma tarifa equivalente anunciada no dia anterior pelo governo do equatoriano Daniel Noboa.
A crescente disputa comercial entre os vizinhos sul-americanos ocorre após um protesto público de Noboa em relação a um déficit comercial de mais de US$ 850 milhões com a Colômbia. Noboa também citou a falta de reciprocidade na segurança da fronteira compartilhada, que continua sendo um reduto para organizações criminosas e tráfico internacional de drogas.
O governo colombiano expressou surpresa com as tarifas unilaterais do Equador, observando que a cooperação bilateral permanece ativa por meio de mecanismos binacionais estabelecidos, incluindo operações militares conjuntas e de combate ao narcotráfico.
De janeiro a novembro de 2024, as exportações equatorianas para a Colômbia totalizaram US$ 760 milhões, contra US$ 1,8 bilhão em importações, segundo o Ministério da Produção do Equador. Na sequência dessa tendência, a Federação Equatoriana de Exportadores informou que o déficit comercial com a Colômbia atingiu US$ 852 milhões no mesmo período de 2025.
A tarifa de 30% anunciada na quinta-feira pela Colômbia abrange 20 produtos equatorianos não especificados, e as autoridades observaram “a possibilidade de estender a medida a um grupo mais amplo”.
O Ministério do Comércio da Colômbia afirmou que essas exportações específicas representam aproximadamente US$ 250 milhões, destacando o impacto significativo nas condições de comércio bilateral. No entanto, a ministra do Comércio, Diana Marcela Morales, observou que as tarifas são temporárias e que a questão permanece aberta para uma solução diplomática e negociada.
Líderes empresariais da Colômbia e do Equador alertam para consequências econômicas imediatas caso seus governos não resolvam a atual disputa tarifária.
“Desde ontem, empresas associadas têm entrado em contato conosco demonstrando grande preocupação”, disse Oliva Diazgranados, diretora executiva da Câmara de Comércio Colômbia-Equador, com sede em Bogotá, à Associated Press. “Essa situação impacta diretamente o desenvolvimento corporativo e as projeções de vendas; pode até mesmo ameaçar empregos”.
Diazgranados afirmou que, embora a comunidade empresarial esteja sofrendo o impacto mais forte da tensão, a raiz do conflito reside nas agências de segurança, e não no comércio.
Entretanto, o Ministério de Minas e Energia da Colômbia anunciou a suspensão por tempo indeterminado de todas as vendas internacionais de eletricidade para o Equador. O ministério justificou a medida como uma “medida preventiva” essencial para salvaguardar a soberania e a segurança energética da Colômbia.
A decisão surge na sequência de uma forte repreensão do Ministro da Energia da Colômbia, Edwin Palma, que condenou as tarifas equatorianas como uma “agressão econômica” que mina a integração regional.
Palma destacou a ironia do atrito atual, observando que, durante a grave crise energética do Equador no final de 2024 , a Colômbia forneceu consistentemente cerca de 90% de sua energia exportável — totalizando aproximadamente 450 megawatts — para estabilizar a rede elétrica de seu vizinho.
Fonte: Associated Press (AP)/Astrid Suárez











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